
Cerimônia de abertura da Semana da Enfermagem contou com a presença da reitora da UFJF (ao centro), da diretora da Facenf, Angélica Coelho (à esquerda) e representantes profissionais da área (Foto: Twin Alvarenga/UFJF)
Começou nesta segunda-feira, 11, a 26ª Semana de Enfermagem, evento da Faculdade de Enfermagem (Facenf) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), que promove a disseminação de conhecimento científico e a promoção do debate sobre temas relevantes para a prática da enfermagem, além de discutir os avanços e desafios da área na contemporaneidade.
A programação segue até quarta-feira, 13, e conta com palestras, mesas-redondas, apresentações de trabalhos científicos e atividades culturais, com o intuito de proporcionar um ambiente rico em aprendizado e troca de experiências.
A cerimônia de abertura contou com a presença da reitora Girlene Alves e da diretora da Facenf, Angélica Coelho, além de representantes do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-MG), do Hospital Universitário (HU-UFJF), coordenadores dos cursos de graduação e pós-graduação em Enfermagem e da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn).
O tema da mesa central do evento foi: “Um século de ABEn: memória, lutas, avanços e perspectivas para o futuro da enfermagem”, ministrada pela professora e integrante da ABEn, Hérica Dutra.
Resistência e luta
Em seu discurso, a reitora da UFJF deu destaque à ABEn e sua relevância nos campos político, científico e social da profissão. Para Girlene Alves, a grande reflexão nos 100 anos da ABEn é compreender a participação política da associação no processo formativo e o que ela imprimiu na formação de enfermeiros e enfermeiras, sobretudo dentro da rede pública de ensino.

Para Girlene Alves, a profissão “precisa dialogar com o mercado, mas sem se render aos encantos fáceis” (Foto: Twin Alvarenga/UFJF)
“São 100 anos de construção de uma profissão que precisa se reinventar diante desta nova ordem mundial, mas não apenas para a produção técnica, e sim para o fazer cotidiano da enfermagem. Não se trata apenas da incorporação de novas tecnologias ou de novos saberes e fazeres, mas de refletir sobre o que estamos fazendo para fortalecer uma política pública tão importante e necessária quanto o Sistema Único de Saúde, em um país ainda extremamente desigual”, observou Girlene, que também é professora da Facenf.
Ainda de acordo com a reitora, trata-se de um evento de resistência que coloca uma lupa sobre uma profissão que precisa incorporar o novo sem perder o lado humano. “Este é um momento de celebrar os 100 anos e tenho certeza de que serão três dias de excelentes debates e reflexões. Que possamos sair daqui fortalecidos na compreensão do sentido da nossa profissão: uma profissão que precisa dialogar com o mercado, mas sem se render aos encantos fáceis dele”, advertiu.
Assuntos como produção científica, formação avançada, o papel da pós-graduação no fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), estratégias de prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde, tratamento e inovação no cuidado às pessoas acometidas por feridas, dentre outros, fazem parte da programação do evento.
Outros temas como o cuidado da infância, população trans, racismo ambiental e violência obstétrica também fazem parte da Semana da Enfermagem. Para a diretora da Facenf, Angélica Coelho, tais assuntos dialogam diretamente com desafios contemporâneos. Ainda de acordo com Angélica, esses debates demonstram o compromisso com uma atuação ética, crítica e socialmente responsável, capaz de reconhecer as desigualdades que impactam diretamente os processos de saúde e adoecimento.

“Semana de Enfermagem reafirma papel da universidade pública como espaço democrático de produção de conhecimento”, avalia Angélica Coelho (Foto: Twin Alvarenga/UFJF)
“A Semana de Enfermagem também reafirma o papel da universidade pública como espaço democrático de produção de conhecimento, formação cidadã e compromisso social. Realizar um evento dessa magnitude é também um ato de defesa da saúde pública e de valorização da formação de profissionais comprometidos com as necessidades reais da população brasileira”, apontou.
Angélica Coelho também faz uma reflexão sobre um dos maiores ensinamentos no campo da enfermagem. “Talvez esse seja um dos maiores ensinamentos da própria enfermagem: ninguém cuida sozinho. O cuidado se constrói coletivamente, na articulação entre diferentes saberes, diferentes sujeitos e diferentes experiências”, analisa.
Cerimônia da Lâmpada
Um dos destaques da programação é a chamada “Cerimônia da Lâmpada” – momento alusivo à Florence Nightingale, considerada a fundadora da enfermagem moderna, que atuou durante a Guerra da Crimeia (1854-1856).
Florence foi pioneira no tratamento humanizado de pacientes e criou métodos, como o diagrama das rosas e a teoria ambientalista, que auxiliaram a reduzir o número de mortes de doentes. Durante as noites, ela prestava cuidados aos doentes e percorria as enfermarias com uma lamparina, sendo assim chamada de “Dama da Lâmpada”.
A cerimônia está marcada para esta terça-feira, 12, às 16h30, no Auditório do Centro de Ciências da Saúde (CCS).
A ABEn
Fundada em 1926, a ABEn é uma entidade civil sem fins lucrativos que representa e congrega enfermeiros, técnicos, auxiliares e estudantes de enfermagem no Brasil. A associação promove o desenvolvimento técnico, científico, político e cultural da profissão, focando na educação, pesquisa e valorização profissional. Suas decisões, fontes de recursos e patrimônio são definidos, fiscalizados e controlados por órgãos e instâncias de deliberação, administração, execução e de fiscalização.
Além disso, é pautada em princípios éticos e articula-se com as demais organizações da enfermagem brasileira, para promover o desenvolvimento político, social e científico das categorias que a compõem.
Possui eixos como a defesa e a consolidação da educação em enfermagem, da pesquisa científica, do trabalho da enfermagem como prática social, essencial à assistência social e à saúde, à organização e ao funcionamento dos serviços de saúde e se compromete em promover a educação e a cultura em geral; e a propor e defender políticas e programas que visem à melhoria da qualidade de vida da população e ao acesso universal e equânime aos serviços social e de saúde.
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