Concurso de Sáficas Mais Performática da UFJF aconteceu na Praça Cívica da Universidade (Foto: Twin Alvarenga/UFJF)

Dezenas de pessoas, entre concorrentes e espectadores, se reuniram na última sexta-feira, 5, na Praça Cívica da Universidade  Federal de Juiz de Fora (UFJF) para o “Concurso de Sáficas Mais Performática da UFJF”.Com a proposta de celebrar a liberdade, a diversidade e a expressão de mulheres que se relacionam com outras mulheres, o evento segue uma tendência que tem se espalhado por diferentes instituições de ensino superior, utilizando de forma crítica e bem-humorada estereótipos de gênero.

A iniciativa já aconteceu em universidades como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). De acordo com a comunidade, “sáficas” é um termo guarda-chuva que engloba mulheres cis, mulheres trans e pessoas não binárias que sentem atração afetiva ou sexual por outras mulheres.

Na sua segunda edição, o concurso de performance contou com desfiles, roupas, músicas, danças e outros elementos que remetem à cultura sáfica, além de eleger a vencedora de melhor performance. 

A estudante Paula Correia, vencedora do concurso, durante sua performance no evento (Foto: Twin Alvarenga/UFJF)

A vencedora foi Paula Correia, egressa do Bacharelado Interdisciplinar em Ciências Humanas e uma das fundadoras da Caminhada Lésbica de Juiz de Fora. Segundo ela, iniciativas como essa são fundamentais para fortalecer os laços da comunidade e ampliar os espaços de representatividade. “A cultura lésbica vem se enfraquecendo um pouco, se perdendo. Então é muito bom recuperar coisas nossas e ter uma presença lésbica em um espaço público como a UFJF”, afirmou.

Sobre a vitória, Paula contou que foi surpreendida pelo resultado. “Eu vim na brincadeira, mas também para fortalecer esse espírito de comunidade. Esse tipo de interação e construção de uma base forte entre mulheres sáficas é ouro para a gente. A gente só se fortalece quando está unido”, destacou.

As estudantes de Pedagogia e Direito, Íris Lays e Maria Fernanda Silvério (ao centro e à direita), ao lado de uma das juradas do evento (à esquerda na foto) (Foto: Twin Alvarenga/UFJF)

Espaços de acolhimento
As estudantes de Pedagogia e Direito Íris Lays e Maria Fernanda Silvério organizaram o concurso. Inspiradas por iniciativas realizadas em outras universidades, elas decidiram trazer a proposta para a UFJF como forma de fortalecer a ocupação dos espaços universitários pela comunidade LGBTQIAPN+.

Segundo Íris, o evento também representa uma retomada da vivência estudantil no campus. “Os espaços de lazer também são importantes para a formação acadêmica. Ver mais gente ocupando a universidade e celebrando a comunidade LGBT é muito importante”, ressaltou.

A grande adesão surpreendeu as organizadoras já na primeira edição, realizada em 6 de novembro de 2025. O grupo criado para organizar o evento rapidamente ultrapassou 100 participantes e reuniu um público maior do que o esperado. Para elas, a resposta demonstra a necessidade de espaços de convivência, acolhimento e representatividade para a comunidade LGBT dentro da Universidade, além de ser uma forma de combater o preconceito. 

Segundo as organizadoras, durante a divulgação do concurso, cartazes do evento foram rasgados em diferentes pontos da UFJF. Para Fernanda, a situação reforça a importância da mobilização coletiva. “É um movimento de acolhimento e resistência, para a gente se unir contra essas pessoas preconceituosas”, afirmou.

Próximo concurso
A comunidade agora se prepara para o concurso de “Twink Mais Performático”, marcado para o dia 22 de maio. A ação premiará performances de homens que se encaixam no estereótipo de “twinks” — jovens, magros, atléticos e com poucos ou nenhum pelo no corpo.