Obra compõe exposição ‘A Paixão representada’ (Foto: Procult)

Imerso no período reconhecido pela tradição católica como Quaresma, momento de penitência e preparação composto por 40 dias, o Museu de Cultura Popular exibe até 30 de abril a exposição ‘A Paixão representada’. A mostra propõe uma contemplação ao que os mais diversos artesãos produzem a partir de um sentimento de devoção e respeito a Jesus Cristo, figura marcante da humanidade. As visitações acontecem de segunda a sexta-feira, das 13h às 16h. A entrada é gratuita.

Estarão em exibição 8 peças que representam algumas das cenas que ocorreram antes, durante e após a crucificação de Cristo, como, por exemplo: os momentos no Horto das Oliveiras, o caminho do Calvário e a Crucificação. Cores marcantes, detalhes fortes nas feições e objetos icônicos poderão ser observados em cada uma das estatuetas cuidadosamente selecionadas para a mostra.

A Paixão representada na mostra bebe na fonte do catolicismo, exortando um sentimento de intensas dores e sofrimentos, que, segundo as crenças dessa religião, foram vivenciados por Jesus a fim de salvar a humanidade. Não à toa, o termo ‘paixão’ deriva do latim passio (sofrer), celebrando o sacrifício supremo por amor e redenção humana. A partir dessa temática, uma das mais fortes na cultura popular brasileira, os artesãos materializam suas impressões e sentimentos utilizando-se de elementos como madeira, gesso, cerâmica, barro, vidro e até massa plástica.

Obra compõe exposição ‘A Paixão representada’ (Foto: Procult)

Os itens em exibição são oriundos de cidades como Rio de Janeiro (RJ), Caruaru (PE) e Juiz de Fora (MG), além de Portugal, um fator que demonstra o alcance e o impacto da religião nos costumes e na cultura popular em diferentes localidades.

Chama a atenção a delicadeza das peças em gesso policromado produzidas em Juiz de Fora. Com um olhar mais atento ao contemplar cada efígie, é possível ter a sensibilidade tocada pelas dores vivenciadas pelas figuras documentadas.

Também merecem destaque as duas peças “Cruzeiro na garrafa”. Elas são originárias de Pernambuco, onde, inclusive, acontece uma das maiores encenações da vida, morte e ressurreição de Jesus. São feitas de madeira e vidro transparente, e trazem em seu interior a cruz, a escada para a descida de Cristo, a lança da paixão com a qual Ele foi perfurado, o martelo utilizado para colocação dos cravos, e a torquês, usada para retirar os cravos de Jesus. Há ainda um quinto item preso à cruz, que sugere a representação do manto da flagelação.

Para a conservadora e restauradora de bens culturais do Forum da Cultura, Franciane Lúcia, a exposição é uma das maiores demonstrações do encontro de religiosidade com a capacidade de criação do povo. “Observar essa exposição é perceber que a fé e a crença das pessoas em algo maior transbordam o seu interior e escorrem pelas mãos por meio da arte. Cada uma dessas peças é devoção materializada e preservar esses trabalhos e tradição é a tarefa do Museu de Cultura Popular”, explica. “Acredito que, no momento em que nos encontramos, a mostra também chega em boa hora, pois nos mostra um verdadeiro exemplo de amor incondicional e confiança de que, apesar de muitas dores, ainda existe possibilidade de redenção”, acrescenta.

Museu de Cultura Popular
Com um rico acervo de mais de 3 mil peças, o Museu de Cultura Popular é um importante espaço de preservação, resgate e valorização da arte oriunda de expressões e tradições populares.

Entre estatuárias, artefatos indígenas, brinquedos antigos, peças de crenças religiosas e outros diversos itens, das mais distintas origens, o visitante tem a oportunidade de realizar uma verdadeira viagem a outros tempos e locais, muitas vezes desconhecidos. O museu abriga objetos da cultura nacional e também de estrangeiras.

As peças, de natureza singular, aguçam a curiosidade e atuam como pontos de contato entre pessoas e culturas diferentes, propiciando, dessa forma, um intercâmbio extremamente importante para sociedade.

O Museu, criado em 12 de março de 1965 – data que marcou o centenário do folclorista Lindolfo Gomes –, foi transferido para o espaço do Forum da Cultura em 1973, sendo doado à UFJF em 30 de setembro de 1987. Sua origem está no trabalho do Prof. Wilson de Lima Bastos, que criou o então chamado “Museu do Folclore”, mais tarde renomeado como “Museu de Cultura Popular”.

Endereço e outras informações
Forum da Cultura
Rua Santo Antônio, 1112 – Centro – Juiz de Fora
www.ufjf.edu.br/forumdacultura
E-mail: forumdacultura@ufjf.br
Instagram: @forumdaculturaufjf
Telefone: (32) 2102-6306