
Congresso é um dos principais espaços de debate científico sobre recursos hídricos no país (Foto arquivo pessoal)
A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) sediará o 20° Congresso Brasileiro de Limnologia (CBL), considerado o maior evento sobre águas continentais da América Latina, sendo um dos principais espaços de debate científico sobre recursos hídricos no país. A vigésima edição acontece entre os dias 20 e 24 de julho e terá como tema “Água: Ciência, Gestão e Política”. As inscrições devem ser realizadas pela plataforma on-line do evento.
Promovido pela Associação Brasileira de Limnologia, o congresso conta com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Durante os quatro dias de programação, o evento reunirá pesquisadores, estudantes e profissionais da área em palestras, mesas-redondas, workshops, painéis e apresentações de trabalhos científicos. Além dos estudos voltados às águas continentais, o congresso também abrirá espaço para debates relacionados à oceanografia, manguezais e ambientes de água salobra.
De acordo com o professor do Departamento de Biologia da UFJF e integrante da comissão organizadora, Nathan Barros, sediar o congresso representa uma oportunidade estratégica para a Universidade. “Esse evento é uma oportunidade ímpar para discutirmos a ciência, a gestão e a política das águas no Brasil. Ao sediar o congresso, a UFJF ganha visibilidade, pode divulgar as pesquisas desenvolvidas na instituição e possibilita que toda a comunidade acadêmica participe das discussões relacionadas ao tema”, destaca.

Professor Nathan Barros acredita que realização do evento na UFJF representa uma oportunidade estratégica para a Universidade (Foto: Carolina de Paula/UFJF)
Água como eixo central
A limnologia é a área da ciência que estuda os ecossistemas aquáticos continentais, como rios, lagos, reservatórios e áreas alagadas. Esses ambientes são essenciais para o abastecimento de água, a manutenção da biodiversidade, a regulação do clima e diversas atividades econômicas.
Segundo Barros, discutir a gestão da água exige a integração entre conhecimento científico, planejamento e formulação de políticas públicas. “A água não é utilizada apenas para um único fim no Brasil. Existem usos múltiplos desse recurso natural, que é limitado. Por isso, é necessário discutir seu uso à luz da ciência, para que sejam pensadas estratégias de gestão e políticas voltadas à conservação dos mananciais. A sustentabilidade do uso da água depende da produção de conhecimento”, afirma.
Atualmente, os ecossistemas aquáticos enfrentam pressões crescentes, como poluição, assoreamento e uso inadequado da água, fatores que comprometem a disponibilidade de água potável. “Os ambientes aquáticos estão expostos a diversas pressões antropogênicas. Muita poluição, muito assoreamento e, principalmente, o uso indevido da água acabam reduzindo a disponibilidade de água potável. Enfrentar esses desafios talvez seja uma das maiores missões da nossa geração, porque a água é um recurso essencial para qualquer forma de vida”, ressalta o professor.
Conexão entre ciência, gestão e poder público
Uma das propostas desta edição do congresso é ampliar o diálogo entre pesquisadores, gestores e representantes do poder público. Pela primeira vez, o evento reunirá nas mesas de discussão cientistas, representantes do poder público e profissionais ligados à gestão, tanto de empresas públicas quanto privadas. “A estratégia é conectar diferentes setores para discutir os múltiplos usos da água no Brasil e na América do Sul”, explica Barros.
O evento já conta com inscritos de todos os estados brasileiros e de três países da América do Sul, além de representantes da Agência Nacional de Águas, ministérios, empresas privadas e instituições públicas.
A expectativa também da organização é que cerca de 60% do público seja composto por estudantes de graduação e pós-graduação. A proposta também é ampliar o interesse pelo tema entre cursos que não estão diretamente ligados às ciências ambientais. “Gostaríamos muito que a comunidade universitária participasse em peso, não apenas os cursos diretamente ligados ao tema, mas todas as áreas que dialogam com a questão da água.”
Serviço
Data: 20 a 24 de julho de 2026
Local: Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Inscrições e submissões dos trabalhos: https://scientia-e.com/sistema/novosis/cbl/2026/novo/index.php
Informações gerais e programação: https://www.sisgeenco.com.br/eventos/cbl/2026/
