O Conselho Superior (Consu) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) aprovou, nesta quarta-feira, 1º de abril, em reunião extraordinária, a proposta orçamentária para o exercício de 2026. O planejamento prevê um orçamento discricionário estimado em R$147.806.881, considerando recursos do Tesouro e arrecadação própria, conforme aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA).
A proposta indica um cenário de maior equilíbrio orçamentário em comparação aos anos anteriores. Em 2025, a Universidade iniciou o exercício com um déficit projetado de R$12 milhões, reduzido ao longo do exercício por meio principalmente de medidas eficazes da gestão sobre controle das despesas e recomposições do Governo Federal. O déficit projetado em 2025 restou sanado e a estimativa, segundo o Pró-reitor de Gestão Finanças, Elcemir Paço Cunha, é de equilíbrio em 2026 sem déficit projetado para as contas institucionais.
Para 2026, a maior parte dos recursos está concentrada em despesas de custeio, que incluem contratos de terceirização, manutenção da infraestrutura, assistência estudantil e pagamento de bolsas. O gasto maior está concentrado nos contratos de terceirizados, abrangendo serviços como apoio administrativo, limpeza, vigilância, manutenção e transporte, distribuídos entre os campi de Juiz de Fora e Governador Valadares. Esses contratos foram apontados como uma das principais preocupações do Conselho Superior, uma vez que concentram grande parte do orçamento.
A assistência estudantil segue como uma das prioridades do orçamento. Os recursos do Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes) apresentaram aumento em relação a 2025, passando a somar mais de R$20 milhões em 2026. Os valores são destinados ao pagamento de bolsas a estudantes carentes e ao subsídio dos restaurantes universitários nos dois campi, reforçando as políticas de permanência estudantil. Também estão previstos aportes específicos para ações como a merenda escolar do Colégio de Aplicação João XXIII. Entre outras iniciativas voltadas ao apoio aos estudantes destacam-se as bolsas de ensino, pesquisa, extensão, inovação e cultura, além de recursos destinados à curricularização da extensão seguindo legislação nacional e apoio à participação discente em eventos acadêmicos nacionais.
Programa de Apoio à Qualificação (Proquali), que oferece apoio financeiro a servidores matriculados em cursos de graduação e pós-graduação, foi também um dos pontos discutidos. Houve manutenção dos investimentos na ação. A reitora da Universidade, Girlene Alves, destacou que o Proquali é uma iniciativa própria da UFJF, sem equivalente em outras instituições federais, e que, ao longo dos anos, o programa não sofreu redução de recursos.
No campo dos investimentos (despesas de capital), a proposta prevê destinação à aquisição de equipamentos, modernização da infraestrutura tecnológica, melhorias em redes e sistemas, além de intervenções em espaços físicos e reserva para situações emergenciais.
Distribuição dos recursos entre unidades
A proposta orçamentária para 2026 também estabelece diretrizes para a distribuição dos recursos entre unidades acadêmicas e administrativas da UFJF. Em termos gerais, foi aprovada o mesmo valor de 2025 para cada unidade, com atualização pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) previsto para 2026 (4% na data da elaboração da proposta orçamentária).
A proposta orçamentária ainda indica a realização de estudos para aperfeiçoamento do modelo de distribuição, com a inclusão de novas variáveis capazes de refletir especificidades sobretudo das unidades acadêmicas e corrigir discrepâncias. Tais estudos estão em alinhamento com discussões em andamento no Ministério da Educação (MEC).
Obras diante das chuvas
Além de atualização sobre as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (HU e Veterinária em Juiz de Fora; Unidades Vila Bretas e Santa Rita e Restaurante Universitário em Governador Valadares), a Reitora ainda ressaltou a solicitação de aportes extraordinários junto ao MEC por decorrência das chuvas que atingiram Juiz de Fora e que colocou a cidade em estado de calamidade pública. Neste episódio, a Universidade busca um novo local para abrigar a estrutura do Colégio Aplicação João XXIII até que o imóvel, interditado pela Defesa Civil, tenha as obras de contenção concluídas. Além do prédio do Colégio Aplicação, a Reitora reforçou que outras áreas da Universidade precisarão de diferentes reparos causados pelas chuvas.
Entenda o orçamento da UFJF
A principal diferença entre os recursos de custeio e de capital na Universidade está na natureza da despesa: o custeio mantém o funcionamento diário, enquanto o capital aumenta o patrimônio da instituição.
O dinheiro de custeio é usado para “fazer a máquina funcionar”. Os valores são utilizados nos custos com contratos de terceirizados, conta de luz, água, internet, materiais de consumo (papel, canetas), diárias, passagens e bolsas de assistência estudantil. Já o capital, o dinheiro é aplicado em bens duráveis que se incorporam ao patrimônio da Universidade. Isso inclui obras, construções, reformas de grande porte, compra de equipamentos de laboratório, computadores e mobiliário
