‘GD 60 Memória’ segue em cartaz até o dia 10 de abril (Foto: Grupo Divulgação)

Era aos sábados de 1966 que um grupo de estudantes universitários se reunia na antiga Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora para estudar e vivenciar a experiência do teatro. Eles não sabiam – ou quem sabe, lá no fundo sonhavam – mas nascia ali o Grupo Divulgação (GD), um dos mais importantes grupos de teatro do país. A semente plantada há sessenta anos germinou, cresceu, floresceu, se fortaleceu, espalhou outras diversas sementes aos ventos, enfrentou tempestades e segue com suas raízes firmes em um propósito: aproximar as pessoas da arte milenar do teatro.

Celebrando essas seis décadas de trabalho ininterrupto, a Galeria de Arte do Forum da Cultura da UFJF recebe a mostra “GD 60 Memória”, uma viagem através do tempo e da poesia que nasce do atuar. A abertura ocorreu na sexta-feira, 27.  ‘GD 60 Memória’ segue em cartaz até o dia 10 de abril, com visitações gratuitas de segunda a sexta, das 13h às 16h.

Peça “Diário de um Louco”, apresentada em 1969. (Foto: Divulgação)

Na mostra, os visitantes poderão conferir mais de 160 fotografias que contam parte da história do Grupo Divulgação. Registros que resgatam peças marcantes, cenários surpreendentes, figurinos encantadores e o principal, as diversas pessoas que passaram pelo grupo, dando vida a personagens inesquecíveis. Poderão ser revistos recortes de espetáculos como ‘Bodas de sangue’ (1968), ‘Diário de um louco’ (1969), ‘Guairaká’ (1980), ‘Era sempre 1º de Abril’ (1990), ‘A fábula do destino’ (2004/2005), ‘O doente imaginário’ (2013), ‘Anjos e desarranjos’ (2016) e ‘Os filhos de Prometeu’ (2019) que, abordavam de forma singular, temáticas de interesse da sociedade, nos respectivos anos em que foram apresentados e questões da humanidade, que seguem as mesmas, ontem, hoje e amanhã.

“Quando nascemos, o teatro universitário estava acabando, não se podia ter teatro, ele estava sendo perseguido no contexto político da época. Foi então, que criamos um Centro de Estudos Teatrais com o nome fantasia de ‘Grupo Divulgação’, na Faculdade de Filosofia, como uma forma de driblar a censura”, relembra José Luiz. “No período de maior repressão, nós começamos a encenar os grandes clássicos do teatro, que, em seus textos, falavam de tudo o que estávamos vivendo. A peça ‘Elektra’, por exemplo, uma das tragédias mais conhecidas da Grécia Antiga e que tratava sobre justiça, ódio, luto, fizemos quando saiu o AI-5, em 13 de dezembro de 1968. São fotografias desses grandes momentos que estarão na nova mostra”, relata José Luiz Ribeiro, coordenador do Divulgação.

“Os Filhos de Prometeu”, em cartaz em 2019 (Foto: Divulgação)

Também é destaque os registros dos trabalhos realizados pelos núcleos de formação em teatro para universitários, adolescentes e terceira idade. Como um projeto de extensão vinculado à Universidade Federal de Juiz de Fora, a partir dos anos 90, o Grupo Divulgação passou a oferecer anualmente, cursos de formação de atores que contavam – e seguem contando – com estudos, leituras, preparação corporal e vocal e vivência de palco. Ao longo dos últimos anos, diversas pessoas puderam explorar suas potencialidades teatrais, desenvolvendo-se tanto nas áreas profissionais quanto nas próprias relações humanas, visto que os cursos proporcionam verdadeira trocas entre todos os participantes.

Peça “Bodas de Sangue”, em 1968 (Foto: Divulgação)

As fotografias das peças resultantes do final de cada ciclo e de cada núcleo estarão presentes na mostra, como é o caso de ‘Minha sogra é da polícia’ (1994), ‘Canto por Federico’ (1998), Estórias para boi dormir (2002), Fados e desgarrados (2007), Ciranda de luta (2014) e a mais recente ‘Pensão familiar’ (2025), montagens do núcleo da terceira idade; A Incelença (1996), O auto do rei (2002), A formosa menina que salvou o circo (2005), Deuses e Heróis (2015) e A santa coroa (2025), peças realizadas pelo núcleo adolescentes; e Poemineiros (1999), Amor em pedaços (2004), A era do malandro (2013), Costurando Shakespeare (2014), O circo vem aí (2018) e Retratos de feira (2025), do mergulhão teatral.

A seleção das fotografias para a mostra foi um desafio à parte, afinal de contas, ao longo de toda trajetória do Grupo Divulgação são 295 montagens apresentadas, entre produções antológicas, espetáculos para o público adulto, para o público infanto-juvenil e peças dos cursos de formação. Nesse universo imagético foi preciso selecionar alguns marcos para, dessa forma, criar uma linha do tempo das peças.

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