Veículo: GE Zona da Mata e Centro-Oeste 

Editoria: Esporte

Data: 22/07/2020

Link: https://globoesporte.globo.com/mg/zona-da-mata-centro-oeste/volei/noticia/oposto-felipe-roque-se-despede-do-minas-e-se-prepara-para-novo-desafio-no-volei.ghtml

Título: “Oposto Felipe Roque se despede do Minas e se prepara para novo desafio no vôlei”

Jogador de Juiz de Fora anuncia saída da equipe de Belo Horizonte em post na web. Novo time deve ser o Vôlei Taubaté

O oposto Felipe Roque seguirá para um novo desafio no vôlei brasileiro. O jogador de 23 anos se despediu do Minas Tênis nesta semana em post com mensagem de agradecimento na conta pessoal no Instagram.

Natural de Juiz de Fora, o jogador de 2,12m foi revelado no projeto de base Bom Pastor/UFJF, jogou pelo JF Vôlei e passou as últimas temporadas na equipe de Belo Horizonte.

– Depois de 5 anos vestindo a camisa do Minas Tênis Clube, chegou o momento de me despedir. Foi uma caminhada de muito trabalho e aprendizado! Quero deixar meu agradecimento a todos atletas, comissão técnica e torcedores que me ajudaram a tornar um dos meus sonhos em realidade!!! Muito obrigado – comentou o atleta na publicação.

Na publicação, o jogador ganhou mensagens de apoio do agora ex-companheiro de time Henrique Honorato e do técnico Nery Tambeiro.

– Tmj irmão, um prazer conviver com vc esses anos – disse o ponteiro.

– Avante Roque!!! Vá realizar seus sonhos… saiba que tentamos dar o nosso melhor, e agradeço a oportunidade que tivemos em trabalhar com vc. O seu potencial é enorme e vc tem muito a conquistar. Estaremos na torcida sempre. Abraços e lembranças a sua família – desejou o agora ex-treinador.

Felipe não revelou à reportagem qual será a próxima equipe, mas o Globo Esporte apurou que o oposto deve ser ser anunciado como reforço do Vôlei Taubaté. Campeão da Copa do Mundo e medalhista de bronze no Pan de Lima com a seleção em 2019, ele segue para o time paulista com missão de substituir o oposto marroquino Mohamed Al Hachdadi, que foi para o vôlei da Polônia.

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Veículo: Correio Braziliense

Editoria: Ciência

Data: 23/07/2020

Link: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2020/07/23/interna_ciencia_saude,874469/estudo-brasileiro-ajuda-a-explicar-relacao-entre-covid-19-e-tromboses.shtml

Título: “Estudo brasileiro ajuda a explicar relação entre covid-19 e tromboses”

Cientistas brasileiros identificam os processos que disparam a produção excessiva de coágulos em pacientes com quadros graves da covid-19. Em testes iniciais com droga disponível no mercado, a formação de trombos foi interrompida

Das muitas complicações da covid-19, uma que tem sido observada em casos graves, de pessoas internadas nas unidades de terapia intensiva (UTIs), é a alteração na coagulação sanguínea. Esses pacientes apresentam formação excessiva de coágulos ; o que já foi verificado em estudos post mortem ;, com agregação de células e proteínas, os chamados trombos. A condição pode interromper a circulação sanguínea, causando trombose, infarto ou embolia pulmonar. Agora, um estudo liderado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) acrescenta evidências sobre o processo, o que poderá ajudar no desenvolvimento de terapias específicas.

Em um artigo publicado na revista Blood, os pesquisadores descrevem o impacto do Sars-CoV-2 nas plaquetas ; células-chave para a coagulação ; a partir do estudo de amostras de pacientes com as formas leve, moderada e grave da covid-19. ;Nosso estudo se dedicou a entender como, nos pacientes graves, o vírus interfere nas etapas iniciais da cascata de processos que deflagram a coagulação. Processos esses em que as plaquetas atuam de forma importante;, descreve Eugênio Hottz, professor da UFJF, pesquisador colaborador do Laboratório de Imunofarmacologia do IOC e primeiro autor do trabalho.

No estudo, os cientistas utilizaram técnicas de citometria de fluxo (que conta, examina e classifica partículas suspensas em líquido) e de microscopia para identificar, nas amostras de sangue, quais alterações poderiam ser observadas nas plaquetas e na cascata de ativação de fatores que levam à coagulação. Tudo isso em nível molecular. Para tanto, os pesquisadores compararam o material dos pacientes de UTI ao de pessoas assintomáticas, com quadros leves e também de voluntários saudáveis. O sangue foi coletado antes da hospitalização e, durante a internação, os participantes foram acompanhados pela equipe.

O estudo mostrou que, nos pacientes graves, além de aumento na ativação das plaquetas, houve forte agregação entre essas células e os monócitos, que fazem parte do sistema de defesa contra infecções. Já nas pessoas com manifestações leves ou assintomáticas, isso não aconteceu. Por trás do processo verificado nas pessoas internadas em UTIs, os cientistas detectaram a ação de duas moléculas: a CD62P e a alfaIIb/beta3. Além disso, eles observaram que, ao serem ativadas, as plaquetas induzem os monócitos a produzirem uma proteína, o fator tecidual, que dá início à coagulação do sangue.

;Nossos resultados indicam que a ativação das plaquetas e sua associação com monócitos, com formação de agregados plaquetas-monócitos, são importantes para o disparo da coagulação sanguínea;, afirma a pesquisadora Patricia Bozza, chefe do Laboratório de Imunofarmacologia do IOC e coordenadora do estudo. De acordo com ela, tanto o aumento nos níveis de ativação plaquetária quanto nos da expressão do fator tecidual nos monócitos estiveram diretamente associados à gravidade do quadro clínico e ao prognóstico da doença, com maior possibilidade de evolução para ventilação mecânica e também para óbito naqueles com maior ativação.

Segundo os pesquisadores, os resultados do estudo têm duas importantes implicações para o tratamento dos casos graves. Em primeiro lugar, o conhecimento de que a relação entre agregação de plaquetas e monócitos está por trás das alterações na coagulação dos pacientes sinalizará, aos médicos, o prognóstico do paciente, orientando melhor as tomadas de decisão sobre as condutas a serem adotadas. Além disso, os pesquisadores destacam que há medicamentos disponíveis que atuam na inibição de plaquetas e podem ser testados como opção terapêutica para esses casos.

;Ainda não sabemos se a ativação das plaquetas causa agravamento do quadro ou se essa ativação é apenas mais um dos muitos processos envolvidos na infecção pelo vírus;, observa Eugênio Hottz, da UFJF. ;De qualquer modo, monitorar a ativação das plaquetas como um marcador para indicar um potencial de agravamento já é uma conclusão obtida na bancada do laboratório que pode vir a ser adotada no manejo clínico;, afirma.

O estudo sugere que o excesso de mediadores inflamatórios liberados no sangue dos pacientes graves pode ser uma das causas da maior ativação das plaquetas. Também aponta que a inibição de moléculas que atuam no processo de adesão e sinalização entre plaquetas e monócitos é capaz de interromper a expressão do fator tecidual, sugerindo caminhos para a busca de terapias. O anticorpo monoclonal abciximab, por exemplo, que já é largamente utilizado para evitar a formação de trombos após cirurgias, foi uma das substâncias testadas com sucesso nos ensaios in vitro. ;Esses resultados abrem possibilidade de continuarmos a investigação para identificar terapias capazes de atuar nos eventos de ativação plaquetária na covid-19;, afirma Patricia Bozza, do IOC/Fiocruz.

;Desde o início da pandemia, têm sido relatadas alterações de coagulação, especialmente com eventos trombóticos, em pacientes graves. Essa é uma preocupação de todas as equipes que tratam de pacientes com covid-19 grave;, destaca o pesquisador Fernando Bozza, que atua no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) e no Instituto D;Or. ;Identificar os fatores que causam essas alterações é fundamental para se estabelecer novas terapias para esses pacientes.;

; Tratamento no Brasil

Pacientes graves de covid-19 que apresentam problemas de coagulação vêm sendo tratados no Brasil com heparina, um medicamento que previne trombose. Um artigo publicado na revista British Medical Journal (BMJ) sobre um estudo conduzido no Hospital Sírio-Libanês de São Paulo descreveu que o uso desse remédio reduziu o tempo de internação e de intubação em pessoas que, além dos sintomas clássicos da doença na forma grave, apresentavam sinais de queda abrupta na oxigenação, uma das características da trombose.

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Veículo: Revista Fórum

Editoria: Ciência

Data: 23/07/2020

Link: https://revistaforum.com.br/pesquisaforum/coronavirus-brasil-tem-10-vezes-mais-casos-que-o-notificado-diz-pesquisa-forum/

Título: “Coronavírus: Brasil tem 10 vezes mais casos que o notificado, diz Pesquisa Fórum”

A 4ª edição da Pesquisa Fórum revela que 9,6% dos brasileiros dizem já ter sido diagnosticado com coronavírus e ficado de quarentena, mesmo sem ter feito o teste para comprovação. O percentual é bem maior que os dados oficiais do Ministério da Saúde. Segundo a pasta, há 2,2 milhões de casos no Brasil, o que daria cerca de 1% da população. Portanto, a pesquisa identifica uma subnotificação de dez vezes mais de casos.

Os dados são semelhantes aos apresentados por uma equipe de pesquisadores do programa de pós-graduação em modelagem computacional da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) e do Cefet (Centro Federal de Educação Tecnológica) de Minas Gerais. Eles fizeram uma estimativa onde afirmavam que o número de casos reais no Brasil seria entre oito e dez vezes maior que a quantidade oficialmente confirmada pelo Ministério da Saúde. O estudo comparou a taxa de letalidade e o índice de mortalidade no Brasil com os números de outros países que promovem testagens em massa, o que não ocorre por aqui.

O Brasil é um dos países que menos realizam testes. Os EUA fazem 153 mil testes por 1 milhão de habitantes e a Rússia, 178 mil por 1 milhão de habitantes. Aqui são 23 mil testes por 1 milhão. Os dados são do Worldmeters.

“A medida mais concreta que tomamos em nível federal pra reduzir os casos de Covid-19 tem sido não fazer testes”, disse o biólogo Atila Iamarino no Twitter.

A Pesquisa Fórum deste mês ainda apresenta um crescimento no número de pessoas que tem alguém conhecido próximo (parente ou amigo) que já foi contaminado. Em abril, 18,2% diziam que conhecia alguém com Covid-19. Em maio, eram 37,8%, em junho, 50,2% e agora, em julho, são 62,7%.

Mulheres e jovens defendem mais o isolamento social

Outro dado trazido pela 4ª edição da Pesquisa Fórum é sobre o apoio ao isolamento social como forma de combate ao contágio do vírus. Desde abril, o índice fica em torno dos 80%. Neste mês são 84,4% que defendem a medida. O percentual se manteve alto mesmo com toda a campanha contrária do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e das flexibilizações já iniciadas em várias partes do país.

Entre as mulheres o apoio é ainda maior, 90,8% são favoráveis ao isolamento. Entre os homens, 77,2% são a favor. Entre os mais jovens o apoio também é maior, de 16 a 24 anos são 88,4% favoráveis à medida.

Entre os que têm ensino superior, que teoricamente teriam mais acesso à informação, o índice cai para 78,2%. O mesmo ocorre com as maiores faixas de renda: entre 5 e 10 salários mínimos são 71,3% a favor.

Ainda segundo a pesquisa, em julho 38,2% da população dizem que já tiveram redução salarial por conta da pandemia. O índice se manteve estável desde a primeira edição, em abril.

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Veículo: G1 Zona da Mata

Editoria: Ciência

Data: 23/07/2020

Link: https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2020/07/23/fapemig-aprova-pesquisa-da-ufjf-para-desenvolvimento-de-testes-de-covid-19-mais-rapidos-e-baratos.ghtml

Título: “Fapemig aprova pesquisa da UFJF para desenvolvimento de testes de Covid-19 mais rápidos e baratos”

Exames serão feitos utilizando técnica molecular de amplificação isotérmica, chamada Lamp, que possibilita o resultado do exame em tempo menor em relação ao RT-PCR, considerado o padrão para detecção do novo coronavírus.

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) aprovou uma proposta enviada pelo grupo de pesquisa do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) para desenvolvimento de testes da Covid-19 através da técnica Lamp, que tem a possibilidade de agilizar o diagnóstico dos pacientes e reduzir os custos do exame.

Segundo a UFJF, a pesquisa receberá auxílio financeiro para o desenvolvimento e aplicação. O objetivo geral da proposta é a detecção de coronavírus através da técnica amplificação isotérmica mediada por loop (Lamp).

A Lamp é uma técnica considerada recente e inovadora que surgiu como uma ferramenta simples e rápida de amplificação de DNA ou RNA que pode ser utilizada para detecção e identificação de diversos patógenos.

Essa técnica já foi empregada para estudos de Zika vírus e de H1N1 como uma alternativa para os testes convencionais de PCR, que são utilizados também para detecção do coronavírus.

“Ela possibilita resultados seguros, reprodutíveis e escalonáveis, permitindo obtenção de diagnósticos mais rápidos, contribuindo para agilizar a atenção clínica ao paciente que tanto necessita”, afirmou coordenador do grupo, Carlos Magno da Costa Maranduba.

De acordo com a pesquisa, usando essa técnica é possível agilizar o diagnóstico do paciente, liberando com segurança e eficiência. Com isso, o grupo pretende padronizar o ensaio de modo que possa duplicar ou triplicar o número de amostras analisadas por vez.

“Assim, será possível diminuir a sobrecarga quanto a obtenção dos diagnósticos, contribuindo para que o paciente receba atendimento com agilidade, o qual se espera. A técnica em si precisa ser padronizada, mas é executável, rápida e de baixo custo”, destacou o pesquisador.

Maranduba informou que o grupo do ICB agora foca em adquirir os insumos e padronizar o rapidamente a técnica para a Covid-19, uma vez que o prazo junto à agência de fomento é de 12 meses.

Técnica Lamp

Desenvolvida em 2000, a técnica Lamp possibilita a obtenção de uma quantidade de RNA amplificado em escala exponencial.

De acordo com Maranduba, é uma técnica molecular de amplificação isotérmica (em uma única temperatura) em que pode-se amplificar os ácidos nucleicos do RNA das células colhidas em tempo menor (de 15 a 60 minutos) e os resultados são analisados com cores e a olho nu.

“O mesmo não acontece com as técnicas convencionais (PCR em tempo real) que demanda alternância de temperaturas, tempo maior (até duas horas), além da necessidade de equipamentos caros na execução e obtenção dos resultados”, esclareceu.

Por isso, pela técnica de Lamp é possível realizar maior número de amostras de pacientes por vez, quando comparado às técnicas convencionais.

Segundo os pesquisadores, o método de PCR faz uso de insumos específicos e de custo elevado. O tempo de montagem da placa e corrida das amostras no PCR em tempo real é de aproximadamente duas horas e meia. Somada, a capacidade dos dois laboratórios da UFJF é de 100 testes diários, com liberação de resultados em até 48 horas após o recebimento das amostras.

Ainda conforme o pesquisador, a Lamp é uma técnica nova perto das convencionais. “Por isso, agora na China, justamente pela necessidade ocasionada pela pandemia, já estão empregando essa técnica, mas ainda precisa de aprimoramentos”, destacou.

Fomento a pesquisas para enfrentamento da pandemia

O Governo de Minas está mapeando projetos e ideias inovadoras de empresas e instituições científicas, tecnológicas e de inovação localizadas no Estado de Minas Gerais que promovam soluções de auxílio ao enfrentamento da pandemia do novo coronavírus e à superação dos danos sociais e econômicos por ela causados para obtenção de apoio financeiro.

De acordo com a Fapemig, o objetivo é ter um canal ágil para identificação de projetos que possam contribuir de forma relevante aos impactos da pandemia, de maneira a facilitar o direcionamento de esforços e recursos para viabilização das ações mais estratégicas.

As propostas submetidas foram avaliadas quanto à relevância e viabilidade financeira diante do contexto da crise por meio de Fórum Especial considerando as visões da saúde e do desenvolvimento econômico. Os projetos que foram considerados estratégicos serão financiados com apoio da Fundação.

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Veículo: G1 

Editoria: Saúde

Data: 23/07/2020

Link: https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/07/23/estudo-traz-novas-evidencias-sobre-impacto-do-coronavirus-no-sangue.ghtml

Título: “Estudo traz novas evidências sobre impacto do coronavírus no sangue”

Descobertas podem contribuir para o estabelecimento de novas terapias para pacientes em casos graves.

Um estudo publicado na “Blood”, principal revista científica internacional na área de hematologia e coagulação, traz novas informações sobre o impacto do novo coronavírus no sangue.

Liderado pelo Instituto Oswaldo cruz (IOC/Fiocruz) e pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a pesquisa ajuda a entender uma das complicações mais graves e frequentes observadas em pacientes com Covid-19 hospitalizados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).

Embora afete principalmente os pulmões, a Covid-19 também pode alterar os processos de coagulação sanguínea nos casos graves. Quando isso acontece, há uma coagulação exagerada que forma agregados de células do sangue e proteínas chamados de trombos. Os trombos podem interromper a circulação do sangue, causando trombose, infartos ou embolia pulmonar.

“Nosso estudo se dedicou a entender como, nestes pacientes, o vírus interfere nas etapas iniciais da cascata de processos que deflagram a coagulação.”, sintetiza Eugênio Hottz, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e primeiro autor do trabalho.

Durante o estudo, os pesquisadores analisaram e compararam amostras de sangue e do trato respiratório de pessoas assintomáticas, pacientes com manifestações leves e de quadros graves que precisaram ser internados em unidades de terapia intensiva (UTIs). Também foram incluídas amostras de voluntários saudáveis para comparação.

As diferentes amostras foram analisadas utilizando técnicas de citometria de fluxo e de microscopia para identificar quais alterações poderiam ser observadas nas plaquetas e na cascata de ativação de fatores que levam à coagulação.

De acordo com os experimentos, nos pacientes com formas graves de Covid-19 houve aumento na ativação das plaquetas e foi observada uma forte agregação entre plaquetas e monócitos, células que atuam na defesa contra infecções – o que não ocorreu nas amostras dos pacientes com manifestações leves ou nos casos assintomáticos.

Duas moléculas que atuam fortemente neste processo de adesão entre plaquetas e monócitos foram mapeadas: moléculas CD62P e αIIb/β3.

Além disso, foi constatado que a ativação das plaquetas induz os monócitos a expressarem uma proteína, chamada de fator tecidual, o que inicia todo o processo de coagulação.

“Nossos resultados indicam que a ativação das plaquetas e sua associação com monócitos, com formação de agregados plaquetas-monócitos, são importantes para o disparo da coagulação sanguínea”, afirma a pesquisadora Patricia Bozza, chefe do Laboratório de Imunofarmacologia do IOC e coordenadora do estudo.

Tanto os níveis de ativação plaquetária quanto os níveis de expressão do fator tecidual nos monócitos estiveram diretamente associados à gravidade do quadro clínico e ao prognóstico da doença nos pacientes acompanhados, com maior possibilidade de evolução para ventilação mecânica e também para óbito naqueles com maior ativação.

O acompanhamento dos níveis de ativação plaquetária de pacientes internados pode servir como uma espécie de “sinalizador” de que o caso pode evoluir para uma forma grave da doença.

Além disso, a partir do conhecimento das moléculas envolvidas na adesão entre plaquetas e monócitos durante a infecção pelo coronavírus, medicamentos já disponíveis para inibição de plaquetas podem vir a ser testados como alternativas terapêuticas.

“Nossos resultados mostram que ocorre ativação de plaquetas nos casos graves de Covid-19. Ainda não sabemos se a ativação das plaquetas causa agravamento do quadro ou se esta ativação é apenas mais um dos muito processos envolvidos na infecção pelo vírus. De qualquer modo, monitorar a ativação das plaquetas como um marcador para indicar um potencial de agravamento já é uma conclusão obtida na bancada do laboratório que pode vir a ser adotada no manejo clínico”, Eugênio resume.

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Veículo: Tribuna de Minas

Editoria: Cidade

Data: 23/07/2020

Link: https://tribunademinas.com.br/noticias/cidade/23-07-2020/juiz-de-fora-chega-a-cem-vidas-perdidas-para-a-covid-19.html

Título: “Juiz de Fora chega a cem vidas perdidas para a Covid-19”

Especialistas consideram número alarmante e acreditam que medidas de controle da epidemia poderiam ter evitado mortes

Juiz de Fora registrou, nesta quinta-feira (23), o centésimo óbito em decorrência da Covid-19. A nova vítima fatal da pandemia na cidade é um idoso de 83 anos, sem histórico de comorbidades. A triste marca de cem mortes foi alcançada cinco dias depois de a cidade evoluir para a onda branca do programa estadual Minas Consciente, que prevê a retomada gradual das atividades econômicas. Sem a perspectiva imediata de vacina ou de tratamento eficaz para a doença, especialistas ouvidos pela Tribuna consideram o isolamento social e medidas de mitigação, como uso de máscaras e álcool gel, fundamentais para frear a incidência de casos e, consequentemente, as mortes. Com a retomada de algumas atividades que não estavam em funcionamento até o último sábado (18), com a migração do município para a onda branca, combinada ao crescimento do número de infectados, entretanto, as perspectivas não são boas, já que a circulação nas ruas só tende a aumentar. Com isso, apontam os analistas, mais vítimas deverão ser contaminadas, e mais vidas podem ser perdidas.

Conforme os dados do boletim epidemiológico desta quinta, além do óbito, 60 novos casos de Covid-19 foram confirmados em 24 horas. Com as atualizações, o município já registra 3.224 confirmações da doença dede o início da pandemia. No mesmo período, novas 117 notificações de síndrome gripal foram registradas pela Prefeitura. Com isso, o número de suspeitas da doença chegou a 12.146.

Informações disponibilizadas pela Prefeitura, por meio do painel gerencial de dados da Covid-19, mostravam que até as 19h desta quinta-feira, a taxa de ocupação total de leitos de UTI na cidade era de 74,64%. O painel também indicava, até o mesmo horário, que a média de isolamento social na cidade, nos últimos sete dias, era de 50,24%.

Mais que números

Os dados mais recentes ilustram o cenário que Juiz de Fora tem vivenciado atualmente. Enquanto o município segue há quatros meses com a taxa de isolamento em torno de 50%, conforme dados da Prefeitura, muitos estão morrendo, sobretudo idosos. A cidade já perdeu 83 moradores com mais de 60 anos e, junto deles, parte de sua história. Entre essas vítimas estavam 45 idosas e 38 homens da terceira idade. Pelo menos 73 tinham alguma comorbidade relatada, ao passo que as notificações dos outros nove não apresentavam essa observação. Mais da metade daqueles que faleceram (56), tinham entre 70 e 89 anos (ver quadro).

Mas não foram apenas possíveis “vovós e vovôs” que deixaram de existir fisicamente para seus entes queridos. Na estatística, que carrega a dor de muitas famílias, também há 17 pessoas com menos de 60 anos, sendo 12 homens e cinco mulheres. O levantamento realizado pela Tribuna, com base nos dados disponibilizados pela Secretaria de Saúde da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), indica que 14 desses adultos tinham algum histórico de doença anterior, enquanto três não tiveram outras patologias relatadas.

No grupo de adultos com comorbidades estão o técnico de enfermagem Agnaldo do Nascimento Emidio, 41 anos, que tinha doença cardiovascular crônica e morreu no dia 22 de abril, como o primeiro profissional de saúde silenciado pela Covid-19 na cidade, com sua voz reverberada em protestos da categoria; e o detento do Ceresp Vanderlei Luiz Cardoso, 53, que era diabético e faleceu no último dia 13, como o primeiro acautelado do sistema prisional infectado, de quem o coronavírus arrancou a chance de uma nova vida fora das grades.

A vítima mais jovem no município é uma mulher de 29 anos, que faleceu no dia 12 de julho e que tinha como comorbidade doença renal crônica. A mais velha também é uma mulher, 99, de quem a Covid-19 tirou a rara oportunidade de completar um século de vida. A idosa também era paciente renal e sofria de doença cardiovascular crônica.

Matéria publicada pela Tribuna em 7 de junho mostrou os rostos das vítimas por trás dos números e como as famílias enfrentaram as perdas de Affonso Schröder, 86; Hilda Machado Venerando, 91; Ilda Rizzo Rangel, 90; José Luiz Rezende Pereira, 70; Margarida Rosa de Souza, 79; e Marcos Luiz Rocha Marlière, 56. A Tribuna não teve acesso às identidades das outras dezenas de vítimas porque os nomes não foram divulgados.

‘Sempre lembrados’

Nesta quinta, com o registro da centésima morte, a Prefeitura emitiu nota lembrando que as pessoas que morreram, “50 homens e 50 mulheres, fazem parte da história da cidade, local que escolheram para construir suas vidas”. Na nota, a PJF pontuou que, desde março, quando foi registrado o primeiro óbito pela doença na cidade, os profissionais de saúde, voluntários e grande parte dos servidores municipais “trabalham de forma ininterrupta e incansável no enfrentamento à doença. Isso, é claro, não reduz a dor da separação, mas demonstra que nenhuma pessoa, em Juiz de Fora, veio a óbito ou teve agravado seu quadro clínico por falta de assistência.”

Por meio do texto, a Administração municipal manifestou solidariedade e condolências a todos que perderam alguma pessoa querida. “Eles e elas serão sempre familiares, amigos e amores de alguém. E assim serão sempre lembrados e lembradas.”

‘Risco maior a cada semana’

O infectologista Guilherme Côrtes considera “muito alarmante” a soma de cem óbitos. “Se tivéssemos conquistado o controle, principalmente nos três primeiros meses, teríamos evitado boa parte dessas mortes. Outra forma complementar para evitar isso seria uma estrutura de detecção de casos e de contatantes, com isolamento desses. Essa estratégia não foi implementada adequadamente.”

Côrtes avalia que, se a postura adotada fosse outra, visando à contenção da epidemia, mortes poderiam ter sido evitadas. “A cada semana que passa, temos aumento do número de casos e risco maior de se infectar por Sars-COV2. A cada semana, estamos com risco maior de adoecer e de morrer por Covid-19. Absolutamente não há nenhum dado que indique que há algum controle da epidemia na cidade ou região.”

Também para o pesquisador de engenharia biomédica Rodrigo Weber, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a situação preocupa. Integrante do grupo que elabora projeções da curva de contaminação na cidade, com uso da modelagem computacional, ele avalia que o isolamento social é a única estratégia, no momento, para evitar mais mortes ligadas à pandemia.

Estatísticas

Segundo ele, considerando o cenário atual, com o isolamento de cerca de metade da população, as análises indicam que o total de óbitos pode variar de 114 a 148 até o fim deste mês, ou seja, pode aumentar até quase 50% em menos de dez dias. Em uma avaliação pessimista, com menos pessoas em casa, a variação sobe para entre 126 e 162 mortes. Já em uma visão mais otimista, que elevaria para 75% a taxa de isolamento, os falecimentos até o final de julho ficariam entre 107 e 137.

“Chegamos, no máximo, lá no início, a cerca de 60% de isolamento. Mas se essa porcentagem tivesse sido mantida, hoje não teríamos passado de dois mil infectados”, avalia Weber. No entanto, a PJF já contabiliza mais de 3.100 casos confirmados, número que ainda pode estar dez vezes abaixo do real, segundo o professor, devido à subnotificação dos assintomáticos, que continuam transmitindo a doença, e daqueles com sintomas leves. Isso significa que Juiz de Fora já teria, na realidade, cerca de 30 mil contaminados. “Com a flexibilização, ao invés de estabilizar, começamos nova fase de crescimento exponencial.” Conforme Weber, nos estudos realizados pelo grupo da UFJF, a epidemia pode ser dividida em duas fases: até 3 de junho e após esta data. “Observamos queda do isolamento social na segunda fase, que levou a este momento que estamos vivendo, com mais casos a cada dia.”

Os dados levantados pela Tribuna também revelam a escalada das mortes por Covid-19 a partir de junho. Enquanto até o fim de maio, 36 pessoas haviam falecido por complicações da doença, o número saltou para cem em menos de dois meses, com maior incidência observada em julho, com mais de 40 óbitos em apenas três semanas. Weber observa que a primeira curva a subir é a de infectados, como aconteceu em junho na cidade. “A de óbitos vem depois.”

O ‘fim social’ da epidemia

O infectologista Guilherme Côrtes pontua que as epidemias, historicamente, têm dois possíveis fins: o médico e o social. “O médico é quando há algum tipo de intervenção científica para controlar a epidemia, no caso de doença por transmissão aérea, seja por advento de um tratamento ou vacina, que não existem ainda.” Segundo ele, também não foram implementadas medidas de saúde pública para conter o avanço do coronavírus. “Sabemos metodologicamente como se faz isso há décadas. Os países que conquistaram o controle da epidemia de Covid-19 fizeram isso com objetivo real e claro. Isso poderia ter sido feito, mas não foi. Nem na nossa cidade, nem no estado e no país. Existem evidências de países no mundo, com diferenças sociais e econômicas, que conseguiram controlar a epidemia. Eles tinham um alvo em comum: não ter mais casos.”

Seguindo o conceito, ao contrário das nações que conseguiram deter a disseminação do coronavírus, o que está acontecendo em Juiz de Fora, em Minas e no Brasil é o fim social, ou “aceitar a realidade de que vamos continuar convivendo com a incidência de casos”. “Aceitar essa realidade como inevitável e ‘normal’ é o fim social da epidemia. Certamente é o pior fim que pode haver: aceitar e passar a conviver com a ocorrência de doença.” Isso significaria que as pessoas cansaram de ficar com medo e optaram por conviver com a enfermidade.

O especialista observa que a mudança em relação às taxas de ocupação dos leitos de UTI ao longo desses quatro meses, que teria viabilizado a flexibilização, está relacionada ao aumento de unidades credenciadas para Covid, e não à diminuição de internações. “Na verdade, aumentamos o denominador dessas taxas, e o percentual se manteve relativamente estável (em um patamar alto, em torno de 80%).”

Preocupação com retomada

Ainda na avaliação do infectologista Guilherme Côrtes, Juiz de Fora ficou esses últimos quatro meses “em banho-maria”. “Não acabamos de implementar medidas que, de fato, pudessem controlar a epidemia, só arrastamos. Isso contribuiu para mais danos à economia”, dispara o especialista, citando a “discussão” que acabou colocando saúde e economia como se fossem questões opostas. “Os danos da economia serão maiores quanto mais longa for a pandemia. Em estudos de recuperação econômica pós-catástrofes, uma das variáveis que podem ser modificadas, no caso de epidemia, é torná-la mais curta e com menor impacto. Quanto mais tempo dura, mais desastroso é para a economia.”

O professor da UFJF, Rodrigo Weber, lembra que países que adotaram a estratégia de lockdown, como Coreia do Sul, Alemanha e Áustria, conseguiram eliminar o vírus. “Resolveram rápido o problema. Enquanto aqui tem sido feito o pior: não resolve a epidemia e temos o impacto econômico postergado.”

Para Côrtes, não existe dúvida de que a diminuição do distanciamento social, com as medidas de flexibilização, vai levar à aceleração da curva. “Esperamos que haja, progressivamente, mais casos/dia a partir das próximas duas ou três semanas, com a intensificação de abertura dessa onda branca (do Minas Consciente).” Apesar das perspectivas não serem as melhores, o infectologista pondera que Juiz de Fora conseguiu, de certa forma, fazer um achatamento da curva e evitar o colapso do sistema de saúde. “Com a taxa de isolamento girando em torno de 50% ao longo desses meses, a velocidade da epidemia, de fato, foi controlada. Mas não foi conquistado um controle. A velocidade de ascensão foi menor, mas não houve diminuição do número de casos em momento algum.”

Os especialistas ouvidos pela Tribuna apontam que não há qualquer indicativo de que tenhamos chegado a um pico, porque este só seria reconhecido após sua passagem seguida de uma queda significativa. Segundo eles, apenas após o declínio da “curva” é que poderia ter sido iniciada qualquer estratégia de retomada das atividades. “Tanto no parâmetro atual, quanto no pessimista, não vislumbramos pico”, observa Weber.

“Não conquistamos, em nenhum momento, uma queda nesta curva. E ainda estamos intensificando a abertura, mesmo na ascendência. Com isso, está muito claro que vamos tolerar a ocorrência de casos e levar a vida ‘normal’ ao mesmo tempo, para tocar a economia e a rotina de todos nós. Isso representa o fim social da epidemia: quando a sociedade se convence que é para ser assim mesmo, com mil mortes/dia no Brasil”, finaliza Côrtes.

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Veículo: G1 Zona da Mata

Editoria: Cidade

Data: 24/07/2020

Link: https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2020/07/24/pandemia-de-covid-19-permanece-fora-de-controle-em-juiz-de-fora-aponta-nota-tecnica-da-ufjf.ghtml

Título: “Pandemia de Covid-19 permanece fora de controle em Juiz de Fora, aponta nota técnica da UFJF”

A constatação usa como base os dados da Organização Mundial de Saúde. A situação de controle é verificada quando um índice chamado ‘Número de Reprodução Efetivo’ é, persistentemente, menor do que 1. Isso quando considerado um período de, ao menos, duas semanas. Na cidade, o registro variou entre 0,6 e 1,28.

A pandemia do novo coronavírus ainda está fora de controle em Juiz de Fora. A afirmação foi divulgada nesta quinta-feira (23), na sétima nota técnica produzida pelo grupo de modelagem epidemiológica da Covid-19 da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com base nos índices da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Um dos parâmetros considerados pela OMS é o Número de Reprodução Efetivo (Rt), uma estatística que indica o número, em média, de casos secundários contaminados por um indivíduo com Covid-19. Segundo a OMS, para que a pandemia esteja sob controle, é preciso que os valores do Rt sejam persistentemente menores do que 1, por um período de, ao menos, duas semanas.

De acordo com a UFJF, essa condição não foi observada em Juiz de Fora, tampouco na macrorregião de saúde Sudeste de Minas. Entre os dias 4 a 18 de julho, o índice Rt oscilou entre 1,28 e 0,6, o que ainda não é ideal.

“Confrontamos os indicadores de Juiz de Fora e região com os parâmetros que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), são os razoáveis para indicar o controle da pandemia. E nenhum dos nossos indicadores mostra adesão a esses critérios”, explicou a pesquisadora Isabel Leite, uma das autoras da nota.

Casos continuam crescendo

Segundo a nota técnica, na última semana, referente ao dia 18 de julho, foi contabilizado o segundo maior registro de novos casos confirmados na cidade, bem como um número de óbitos que corresponde a 32,3% do total de mortes atribuídas pela doença até o último sábado.

Na microrregião de saúde Sudeste, Juiz de Fora segue concentrando a maioria dos casos mortes, contabilizando mais de 90% dos óbitos da região.

Porém, o estudo constatou um aumento em municípios menores da microrregião, como Muriaé, Leopoldina, Cataguases e Além Paraíba, o que indica o processo de interiorização da pandemia.

Outro dado que o grupo observou é o declínio do número de hospitalizações, tanto em leitos de enfermaria quanto de Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

De acordo com a nota técnica da UFJF, o número de leitos ocupados está instável, não apresentando uma tendência clara de queda como recomendado.

“A relação de procura por leitos é muito complexa; quando a taxa de ocupação sobe, por exemplo, uma opção do gestor pode ser a ampliação do número de leitos e, naturalmente, a taxa, em uma próxima análise, cairá. Mas isso não quer dizer que não exista o mesmo número, ou até maior, de pessoas que precisam de leitos. Ou seja, a taxa pode cair, mas isso não é o mesmo que dizer que as pessoas não estão mais adoecendo ou precisando de internação”, ponderou a pesquisadora Isabel Leite.

A taxa de positividade dos testes de Covid-19 é outro critério adotado pela OMS. Ela deve ser menor do que 5%.

Conforme dados coletados entre 12 e 19 de julho, informados pelo relatório técnico emitido pela Secretaria de Saúde do Estado de Minas Gerais (SES-MG), a taxa de positividade era de 32% e 30%, respectivamente, para Minas Gerais e a macrorregião Sudeste do estado, onde está localizada Juiz de Fora.

Grupo de pesquisa

O grupo de modelagem epidemiológica da Covid-19, formado por pesquisadores da UFJF, utiliza dados de diversas fontes oficiais sobre a pandemia no município de Juiz de Fora e na macrorregião Sudeste de Minas Gerais.

O objetivo maior é auxiliar nos planos de contingenciamento de leitos, profissionais e equipamentos de saúde no decorrer do crescimento da infecção.

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Veículo: Acessa

Editoria: Educação

Data: 24/07/2020

Link: https://www.acessa.com/educacao/arquivo/noticias/2020/07/24-cead-divulga-edital-para-tutores-bacharelado-administracao-publica/

Título: “Caed divulga edital para tutores do Bacharelado em Administração Pública”

Estão abertas as inscrições para seleção de tutores a fim de atuarem no curso de Bacharelado em Administração Pública, na modalidade a distância, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). As vagas são para cadastro de reserva com atuação direta no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA).

A inscrição acontece até as 12h do dia 31 de julho de 2020 e deverá ser feita por meio do preenchimento do formulário de inscrição no site do Cead/UFJF, seção Editais, clicando no link próprio, referente ao Edital e envio da documentação on-line no momento da inscrição.

Descrição da vaga

Cabe ao tutor apresentar disponibilidade de 20 horas semanais para o desenvolvimento das suas atividades; mediar a comunicação de conteúdos entre a equipe pedagógica do curso e estudantes; acompanhar as atividades discentes, conforme o cronograma do curso e da disciplina; apoiar a equipe pedagógica do curso no desenvolvimento das atividades docentes; manter regularidade de acesso ao Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) e responder às solicitações dos alunos no prazo máximo de 24 horas.

Além disso, o tutor deve participar das atividades de capacitação e atualização promovidas pela Universidade; apoiar operacionalmente a Coordenação do Curso nas atividades presenciais nos polos, em especial na aplicação de avaliações; participar das reuniões presenciais no Polo ou por meio de webconferência realizadas durante o curso; ter possibilidade para atuação direta nos polos às sextas-feiras e sábados, de acordo com a demanda da Coordenação de Tutoria.

O candidato deve ficar ciente de que todas as viagens a serviço da Educação a Distância (EAD) originam-se da cidade de Juiz de Fora; criar condições adequadas para os estudos dos alunos, facilitando o acesso aos laboratórios de informática, biblioteca e outros espaços pedagógicos do polo de apoio presencial.

Compete ao tutor auxiliar e apoiar o professor da disciplina na organização e realização de atividades pedagógicas presenciais: avaliações, práticas laboratoriais, visitas pedagógicas do professor da disciplina, webconferências, seminários, palestras, grupos de estudos independentes, dentre outros; estabelecer frequentemente o contato com os alunos ausentes e estimulá-los a frequentar o ambiente do polo a fim de superar suas dificuldades e dúvidas; participar de reuniões semanais com a coordenação de Tutoria a serem divulgadas com 48 horas de antecedência.

Resultados

O resultado parcial da primeira fase (Prova de Conhecimento EaD) dos candidatos será divulgado pelo site do Cead, no dia 17 de agosto de 2020, a partir das 17h.

Já o resultado parcial da segunda fase (Análise Curricular) dos candidatos será divulgado pelo site do Cead, no dia 24 de agosto de 2020, a partir das 17h.

O resultado parcial da terceira fase (entrevista) será divulgado no dia 3 de setembro de 2020, a partir das 17h no site do Cead/UFJF.

Seguindo o cronograma, o resultado do segundo recurso da terceira fase (entrevista) e o Resultado Final serão divulgados no site do Cead/UFJF no dia 10 de setembro de 2020, a partir das 17h, em uma lista com o nome do candidato classificados, em ordem decrescente de pontuação. No impedimento de qualquer um destes, os demais serão convocados, seguindo a ordem de classificação.

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Veículo: Revista Fórum

Editoria: Brasil

Data: 23/07/2020

Link: https://revistaforum.com.br/pesquisaforum/coronavirus-brasil-tem-10-vezes-mais-casos-que-o-notificado-diz-pesquisa-forum/

Título: “Coronavírus: Brasil tem 10 vezes mais casos que o notificado, diz Pesquisa Fórum”

A 4ª edição da Pesquisa Fórum revela que 9,6% dos brasileiros dizem já ter sido diagnosticado com coronavírus e ficado de quarentena, mesmo sem ter feito o teste para comprovação. O percentual é bem maior que os dados oficiais do Ministério da Saúde. Segundo a pasta, há 2,2 milhões de casos no Brasil, o que daria cerca de 1% da população. Portanto, a pesquisa identifica uma subnotificação de dez vezes mais de casos.

Os dados são semelhantes aos apresentados por uma equipe de pesquisadores do programa de pós-graduação em modelagem computacional da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) e do Cefet (Centro Federal de Educação Tecnológica) de Minas Gerais. Eles fizeram uma estimativa onde afirmavam que o número de casos reais no Brasil seria entre oito e dez vezes maior que a quantidade oficialmente confirmada pelo Ministério da Saúde. O estudo comparou a taxa de letalidade e o índice de mortalidade no Brasil com os números de outros países que promovem testagens em massa, o que não ocorre por aqui.

O Brasil é um dos países que menos realizam testes. Os EUA fazem 153 mil testes por 1 milhão de habitantes e a Rússia, 178 mil por 1 milhão de habitantes. Aqui são 23 mil testes por 1 milhão. Os dados são do Worldmeters.

“A medida mais concreta que tomamos em nível federal pra reduzir os casos de Covid-19 tem sido não fazer testes”, disse o biólogo Atila Iamarino no Twitter.

A Pesquisa Fórum deste mês ainda apresenta um crescimento no número de pessoas que tem alguém conhecido próximo (parente ou amigo) que já foi contaminado. Em abril, 18,2% diziam que conhecia alguém com Covid-19. Em maio, eram 37,8%, em junho, 50,2% e agora, em julho, são 62,7%.

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Veículo: Folha Vitória

Editoria: Saúde

Data: 23/07/2020

Link: https://www.folhavitoria.com.br/saude/noticia/07/2020/xixi-na-cama-apos-os-cinco-anos-pode-ser-um-disturbio-hereditario

Título: “Xixi na cama após os cinco anos pode ser um distúrbio hereditário”

São vários os fatores que auxiliam o diagnóstico da enurese, mas pais que sofreram durante a infância podem ter filhos com o mesmo transtorno

A perda de urina involuntária durante a noite acomete 15% das crianças acima dos cinco anos de idade. O transtorno que é denominado enurese, popularmente conhecido como xixi na cama, acontece pela imaturidade do sistema urinário e tem com um dos principais fatores de risco, a genética.

José Murilo B. Netto, urologista pediátrico e chefe da disciplina de Urologia na Universidade Federal de Juiz de Fora, explica que a enurese é multifuncional, ou seja, são vários os fatores internos e externos que podem ser responsáveis pela perda involuntária da urina. “Ao contrário do que muitos imaginam, as questões genéticas são grandes evidências. “Se um dos pais foi enurético, a chance do filho ser é de 44%. Quando pai e mãe foram enuréticos, as chances sobem para 77%”, ressalta.

Os distúrbios miccionais, muitas vezes, não são diagnosticados nas consultas rotineiras ao pediatra. É importante que os pais ou cuidadores observem os sinais para o que o diagnóstico seja dado feito com mais precisão e o tratamento iniciado o quanto antes. “O amadurecimento do sistema urinário faz parte da fase de desenvolvimento infantil, por este motivo, a atenção precisa ser redobrada quando os episódios de escapes noturnos acontecem frequentemente após os cinco anos de idade”, alerta o especialista.

Um dos maiores equívocos da sociedade é relacionar o xixi na cama com preguiça ou “birra” infantil. Comparações com outras crianças, ou até mesmo entre os irmãos, é outro erro que precisa ser evitado, uma vez que o crescimento é individual e o amadurecimento do sistema urinário não é diferente. “Além da genética e questões emocionais, fatores fisiológicos como bexiga pequena ou hiperativa para a idade, problemas estruturais no trato urinário, deficiência de secreção de vasopressina noturna – substância que diminui a produção de urina noturna – e problemas de sono que podem ocasionar dificuldades ao acordar, são também relacionados a enurese”, explica o urologista pediatra.

Pesquisa

Um estudo feito no grupo de pesquisa da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) observou que pais que foram punidos por causa da enurese quando eram crianças tendem a repetir esse comportamento punitivo com os filhos. De maneira geral, eles podem ajudar no tratamento dando apoio à criança, ajudando-as a compreender os sintomas, não punindo, procurando atendimento médico especializado, com profissional apto para lidar com enurese, aderindo e seguindo as instruções do tratamento proposto. No caso daqueles que já tiveram enurese, passar a experiência, de forma positiva, a seus filhos e, mostrar, que assim como eles, as crianças também ficarão curadas é outro fator motivacional para a cessão dos sintomas.

A enurese pode ser tratada com orientações comportamentais e, em alguns casos, com medicamentos. “A parte fundamental do tratamento é a compreensão familiar. Evitar a punição, repreensões ou até mesmo sentimento de culpa e frustração”, completa José Murillo B. Netto.

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Veículo: G1 Zona da Mata

Editoria: Cidade

Data: 24/07/2020

Link: https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2020/07/24/profissionais-que-atuam-na-linha-de-frente-do-combate-a-covid-19-no-hu-recebem-cartas-de-criancas-em-juiz-de-fora.ghtml

Título: “Profissionais que atuam na linha de frente do combate à Covid-19 no HU recebem cartas de crianças em Juiz de Fora”

Em iniciativa de uma professora, alunos do 3º ano do Centro Educacional Aguiar Celeghini enviaram mensagens de carinho e gratidão aos trabalhadores.

Profissionais que trabalham na linha frente do combate ao coronavírus no no Hospital Universitário (HU) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) receberam cartas de apoio, enviadas por alunos do Centro Educacional Aguiar Celeghini.

As crianças, estudantes do 3º ano do ensino fundamental, foram incentivadas a colocar no papel suas mensagens de carinho e gratidão pela professora das disciplinas de história e português, Mariana Savino.

A professora contou à redação do MG1 que, ao desenvolver o gênero textual “carta” em sala de aula, resolveu passar uma tarefa que atingisse mais que os alunos.

“Como eu tenho uma irmã que trabalha no HU, eu pedi que ela fosse atrás de nome de funcionários, desde a limpeza, até os funcionários da saúde, que estavam trabalhando diretamente com pacientes com Covid-19”, explicou Mariana.

As cartas foram enviadas com o nome de cada funcionário, e contavam com desenhos e mensagens de apoio e carinho. Segundo Mariana, “foi um dia de muita alegria e entusiamo dos profissionais”.

A professora conta, ainda, que alguns receptores desejaram retribuir o apreço, escrevendo respostas aos alunos.

“Houve uma troca de carinho e de amor muito grande”, afirmou Mariana.

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Veículo: Outras Palavras

Editoria: Brasil

Data: 24/07/2020

Link: https://outraspalavras.net/outrasmidias/como-articular-um-breque-a-dominacao-dos-apps/

Título: “Como articular um breque à dominação dos apps”

Sucesso da primeira greve dos entregadores puxa novo ato neste sábado. Luta coletiva enfrentará individualização tecnológica. Socióloga reflete sobre novas reivindicações, reinvenção dos sindicatos e papel dos consumidores

Ana Claudia Moreira Cardoso, em entrevista ao IHU Online

Depois do Toyotismo, do Fordismo e do Taylorismo, uma das formas de apreender as transformações do mundo do trabalho é o que a socióloga Ana Claudia Moreira Cardoso chama de Uberismo. “O ‘Uberismo’ é o modelo predominante, assim como, em outros momentos históricos, foi o Toyotismo, o Fordismo e o Taylorismo”, observa em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line. “A lógica comum a todos esses modelos é a busca pelo lucro com a destruição (ou tentativa) de todas as instituições, regras e valores que possam atrapalhar. O que é diferente é a forma como cada um desses modelos se realiza, pois depende do contexto tecnológico, político, econômico e social e, evidentemente, da correlação de forças entre trabalho e capital”, detalha.

Assim, nesse contexto em que o mundo não mais se limita à fábrica, o capital também se reinventa e busca outras formas de se sustentar e extrair cada vez mais o lucro em cima da velha exploração das forças de trabalho. Segundo Ana Claudia, são movimentos que vêm se constituindo ao longo dessa era pós-industrial do século XXI, mas que, no contexto de pandemia, deu um salto. Por isso, aponta o movimento dos entregadores das empresas de plataforma como um dos casos para se melhor compreender esse complexo processo. “Por isso a necessidade urgente de regulação dessas empresas-plataforma, para que os trabalhadores que hoje já laboram e os que venham a fazê-lo não sejam considerados de ‘segunda classe’, ou excepcionais, ou específicos. Já temos uma legislação do trabalho e esta deve incluir todos os trabalhadores”, acrescenta.

E uma regulação eficaz só pode vir do entendimento do complexo modo de operar dessas empresas, uma curiosa mistura entre passado e presente, por exemplo, no que diz respeito às formas como gerem as forças produtivas. “No que se refere à gestão, esta é realizada a partir de lógicas muito antigas, que nos remetem ao início da revolução industrial – como o pagamento por trabalho feito. Ao mesmo tempo, ela inclui o que há de mais desenvolvido do ponto de vista tecnológico, que são os algoritmos, assim como a gamificação do trabalho”, analisa.

Nessa gamificação, o trabalhador é posto como dentro de um jogo em que precisa cumprir etapas para receber prêmios. Mesmo construídas como metas quase inatingíveis, o trabalhor segue conectado e ligado no seu game/labor. “A gestão gamificada não se reduz às tarifas dinâmicas, mas inclui bônus, prêmios etc.”, incluindo ainda as formas de punição e sanção, sempre impostas de forma unilateral. “As plataformas não informam o motivo das represálias, e muitas vezes nem a duração, impedindo que os profissionais possam se defender e questionar a decisão tomada “pelos algoritmos’”, pontua.

Por fim, a pesquisadora ainda chama atenção para como essa lógica se alastra por outras áreas e o papel de organizações como sindicatos e mesmo consumidores na resistência para assegurar direitos ao trabalhador. “Os sindicatos enfrentam novos desafios – mas isso é constante em sua História, porque o capitalismo está sempre se renovando e intensificando a exploração”, aponta. E sobre os consumidores, completa: a questão é saber até onde eles conseguirão sair do papel de consumidores, para se colocarem no papel de trabalhadores e cidadãos. Sabemos que isto não é fácil”.

Ana Claudia Moreira Cardoso é professora convidada no Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF. Possui doutorado em Sociologia pela Universidade de São Paulo – USP e pela Universidade Paris 8 e mestrado em Ciência Política pela USP. Realizou pós-doutorado em Sociologia na Universidade de Brasília – UnB e no Centre de recherches sociologiques et politiques de Paris. Entre suas publicações, destacamos Tempos de trabalho, tempos de não trabalho: disputas em torno na jornada do trabalhador (São Paulo: Annablume, 2009).

Confira a entrevista.

Qual a sua análise em relação à paralisação dos trabalhadores em empresas-plataforma de entregas ocorrida no Brasil?

O capital se reinventa a todo momento: novas formas de organizar e gerir o trabalho, novas tecnologias, novos discursos, novos mercados. Os trabalhadores, por sua vez, também reinventam suas lutas a partir de novas reivindicações, novos discursos e inovadoras formas de organização. E foi o que vimos nesta paralisação. Se num primeiro momento poderia se pensar que a própria forma de organização laboral seria um impeditivo para a organização desses trabalhadores – com a ausência de um local de trabalho fixo onde os trabalhadores se encontrem todos os dias e assim possam falar sobre a vivência comum do trabalho –, vimos que não foi o caso.

A vivência de humilhações e de um trabalho intenso, precário e incerto, que nada tem a ver com a liberdade e o ganho fácil propalados pelas empresas-plataforma, têm levado esses trabalhadores a, progressivamente, se mobilizarem (Abdelnour e Bernard, 2019). De acordo com Alessandro Sorriso, liderança sindical no Distrito Federal, “a solidariedade foi estrutural na organização coletiva e nacional do movimento, mas o sofrimento comum foi sua força motriz”.

Já em 2016 vimos movimentos em Londres, na Bélgica, na Espanha, na França e na Alemanha. Em novembro do ano seguinte, uma mobilização foi realizada em diversos países ao mesmo tempo. O mesmo ocorreu no ano seguinte e segue até o momento atual. Em várias dessas greves, os entregadores receberam apoio do movimento sindical, de movimentos independentes e de membros de partidos políticos. Desde o início deste ano, presenciamos diversos movimentos nos países da América Central e Latina contra ausências de protocolos de proteção, redução de taxas e do bônus.

Horizontalidade

No que se refere ao movimento no Brasil ocorrido no dia 01/07, e como já foi dito por Sidnei Machado, este foi pensado e organizado de forma horizontal, a partir de conversas nos encontros nas ruas, nas esperas das encomendas, nas manifestações que antecederam a greve, nas redes sociais e nos grupos de WhatsApp.

Entretanto, cabe um parêntese e algumas indagações. Esta paralisação seria menos relevante se os entregadores tivessem associações, sindicatos ou federação? Se estas instituições, juntamente com os trabalhadores, tivessem convocado o movimento? Ou, ainda, como vimos em outros países, se ela tivesse sido pensada e organizada juntamente com entidades representativas de outros trabalhadores, de associações do movimento social ou mesmo de partidos políticos? Será que no momento em que esses trabalhadores decidirem pela necessidade de terem representantes (o que já aconteceu no dia 08 de julho para a conversa com Rodrigo Maia) será dito que o movimento não é mais horizontal e que ele é menos relevante?

São indagações que me fazem lembrar, por exemplo, dos movimentos de 2013 e o que veio a seguir. Mas, também, me remetem ao discurso neoliberal a respeito de os indivíduos (trabalhadores) terem força suficiente para se defenderem diante do mercado de trabalho e das corporações empresariais sem precisarem constituir instituições.

Greve?

Questões que, de alguma forma, reaparecem nas falas dos trabalhadores. Em um dos grupos de WhatsApp de entregadores que participo, criado para ser um espaço de discussão sobre o movimento, uma das primeiras questões foi em torno do nome a ser dado ao evento. Inicialmente o cartaz apresentado continha o título de “Greve” e, num segundo momento, após alguns identificarem que “Greve” se referia à forma como trabalhadores tradicionais, representados por sindicatos, se organizavam, decidiram mudar o nome para paralisação.

Me parece que essa mesma lógica está presente quando muitos falam que não querem ter a CLT, mas apenas direitos; que não querem fazer política, mas apenas defender seus direitos; e que não querem a presença de representantes de partidos políticos em seu movimento.

Precariedade e superexploração em evidência

Voltando à análise do Breque dos Apps no dia 01/07, sem dúvida ele foi um sucesso. Possibilitou que as precárias condições e relações laborais desses trabalhadores saíssem da invisibilidade social. Mesmo que muitas destas condições já estejam sendo relatadas nos processos judiciais que os trabalhadores têm realizado contra as plataformas, nesses espaços elas ainda podem ser vistas como experiências individuais e pontuais. A greve, por sua vez, mostrou que a precariedade do trabalho e a superexploração nesta relação laboral é um problema coletivo e generalizado.

Finalmente, vale ressaltar que diante dessas novas formas de resistência da classe trabalhadora, somos tentados a idealizá-las. Entretanto, o movimento dos entregadores, como toda ação de massas, tem contradições internas, limites que se impõem de fora, desafios organizativos e ideológicos. Aponta alguns caminhos e revela novos obstáculos.

Majoritariamente solidária ao movimento e encantada, com razão, a sociedade não deve depositar todas as suas esperanças e frustações na emergência dos precarizados como atores políticos isolados. Por seu lado, os trabalhadores terão que persistir mesmo que a primeira greve, apesar da imensa adesão, não tenha tido um retorno positivo às suas reivindicações. A História mostra que toda luta trabalhista é longa, sempre custosa, cheia de avanços e retrocessos parciais.

Se os aplicativos mudaram o mundo do trabalho, podemos afirmar que também estão transformando a ideia de sindicalismo? Por quê?

Uma parte desta resposta já foi dada na pergunta anterior. Mas podemos ir ainda mais longe e dizer que a tecnologia digital está alterando muitas das formas de interação social e abrangendo os mais diversos espaços – não apenas o do trabalho. Mudam as relações de amizade, amorosas, de compras, políticas, de pesquisa, dentre tantas outras. No contexto da pandemia, muitas das resistências ou mesmo desconhecimentos em relação às tecnologias foram reduzidas. Por outro lado, vale ressaltar, há uma desigualdade sociodigital muito acentuada no Brasil, que também se explicitou neste momento de isolamento social.

Por sua vez, modificar as formas de interação social não significa que todas serão radicalmente transformadas. Na maioria dos casos significa incluir uma nova possibilidade, misturar o novo e o velho.

No mundo do trabalho, as novas tecnologias trazem diversas mudanças na forma de organizar e gerir o trabalho, inclusive sendo adotadas pelas empresas tradicionais. Os diversos modelos (Fordismo, Taylorismo e Uberismo) se superpõem e interagem entre si. Por sua vez, o movimento sindical e os trabalhadores buscam dar conta de todas essas formas de organização do trabalho e das consequências para o cotidiano dos indivíduos.

Neste contexto, é bem provável que o sindicalismo continue a reivindicar o direito à organização por local de trabalho, ao mesmo tempo que tem o desafio de pensar outras formas de organização, que não dependam da concentração de trabalhadores no mesmo espaço. Isto vale não somente para os trabalhadores em empresas-plataforma, mas também para os terceirizados, os intermitentes e aqueles que estão no teletrabalho e no home office (número que tende a crescer após o isolamento social).

Da mesma forma, as entidades sindicais continuarão a fazer assembleias presenciais, mas também remotamente. Continuarão a conversar com os trabalhadores em seus locais de trabalho, mas terão que ir às ruas e, também, usar as tecnologias para ampliar as formas de contato e interação. A comunicação não poderá ser apenas de cima para baixo, mas também de baixo para cima e horizontal. Isso vale para o pessoal que trabalha com empresas-plataforma, mas também para a classe trabalhadora em geral, que está mais dispersa, menos unificada, mais volátil.

Precarização laboral e desconstrução da regulação

Em todo o mundo, o novo ciclo de acumulação capitalista tem imposto a precarização laboral e a desconstrução da relação de trabalho regulada, permanente ou pelo menos duradoura, contratada coletivamente a partir de um arcabouço legislativo garantidor de direitos básicos. O movimento sindical luta para combater essa tendência – seja garantindo que os associados permaneçam na formalidade e tenham seus direitos históricos garantidos, seja apoiando a luta do chamado “precariado”.

Novos desafios

Os sindicatos enfrentam novos desafios – mas isso é constante em sua História, porque o capitalismo está sempre se renovando e intensificando a exploração. A luta coletiva dos entregadores se insere nesse contexto de mudanças, num momento em que a correlação de forças entre capital e trabalho favorece fortemente o primeiro. As condições de trabalho desumanas a que eles são submetidos são mais uma evidência disso. Mas o movimento pode se esgotar facilmente se não criar e nem se apoiar em algum arcabouço institucional, que garanta continuidade, negociação com as empresas-plataforma e com o governo, estratégia jurídica unificada etc. Da mesma forma, a instituição sindical se torna estéril, quando se distancia da realidade sempre variável e fluida que é vivenciada pelas bases. Nesse fio de navalha se equilibra a resistência dos trabalhadores.

Podemos dizer, então, que o mundo do trabalho está em constante mutação – e que a ideia de sindicalismo se transforma desde que os sindicatos existem.

O trabalho uberizado, ou via plataformas de aplicativo, é o futuro do trabalho? Por quê? E como, diante da realidade desse tipo de trabalho, assegurar o mínimo de proteção e assistência ao trabalhador?

O capitalismo de plataforma com sua nova lógica veio para ficar. Desde o final dos anos 1990, uma grande quantidade de plataformas digitais está sendo criada e abrangendo amplas dimensões da vida cotidiana, como dito anteriormente. No momento atual, e com mais ênfase nesse contexto do novo coronavírus, tais plataformas seguem crescendo e ocupando cada vez mais setores da economia, alterando a organização social e colocando novos desafios para a regulação desse novo modelo, seja no que se refere ao direito e qualidade no trabalho, às questões sobre vigilância e privacidade, dentre tantos outros.

No capitalismo de plataforma, a rede tem sido o principal organizador da economia, com o novo modelo de negócios baseado nas plataformas digitais. As possibilidades de conexão quase infinitas e que colocam em relação uma quantidade cada vez maior de pessoas viabiliza ao capital a captação de valores produzidos pelos seus usuários – que depositam dados pessoais, avaliações, comentários, preferências, caminhos, indicam amigos, dentre outras informações. No caso das plataformas de trabalho, a produção de valor também ocorre a partir da superexploração dos trabalhadores.

Por outro lado, do ponto de vista dos indivíduos, a enorme e rápida expansão dos aparelhos móveis possibilitou que cada um, munido de um telefone móvel, pudesse se tornar produtor, criador de serviços ou mesmo oferecer serviços, contribuindo para uma mistura de identidade – se trata de consumidores, produtores de serviço, de conteúdo/dados ou de trabalhadores. Essa “mistura” de papéis, em meio ao discurso neoliberal enganoso sobre o empreendedorismo, facilita às plataformas de trabalho se colocarem não como empregadoras, mas apenas como intermediadoras entre vendedores de serviço e clientes.

Uberismo

Neste contexto, o “Uberismo” é o modelo predominante, assim como, em outros momentos históricos, foi o Toyotismo, o Fordismo e o Taylorismo. A lógica comum a todos esses modelos é a busca pelo lucro com a destruição (ou tentativa) de todas as instituições, regras e valores que possam atrapalhar. O que é diferente é a forma como cada um desses modelos se realiza, pois depende do contexto tecnológico, político, econômico e social e, evidentemente, da correlação de forças entre trabalho e capital.

Esse modelo de trabalho – onde os trabalhadores não têm nenhum direito, previsibilidade de jornada e rendimento ou autonomia, além de serem responsáveis pelos riscos e custos do negócio – já abrange diversos setores de economia e tende a se expandir. A área de educação, dos profissionais liberais (programadores, tradutores, redatores, conselheiros jurídicos, arquitetos, artistas), de hotelaria, comércio, cuidado, consertos, de cozinha em domicílio, limpeza, arte, dentre tantas outras. Sem contar a já enorme quantidade de trabalhadores em plataformas de crowdworker como a Amazon Mechanical Turk – AMT, a Clickworker, a CrowdFlower e a Microworkers.

Não apenas as plataformas de trabalho estão impactando de forma negativa o mercado laboral. Em estudo que realizei com Marcela Bifano [a ser publicado no próximo número da revista Anais Brasileiros de Estudos Turísticos] sobre o setor de turismo, vimos que mesmo as verdadeiras plataformas de intermediação (como Expedia, Tripadviso, Kayak, Booking, Orbitz, Skyscanner, Decolar, Trivago e Hoteis.com) estão destruindo os empregos formais nas agências de turismo. O mesmo é observado com as plataformas de compartilhamento, como a Airbnb, dado que esta abre uma concorrência desleal com os médios e pequenos estabelecimentos, gerando a redução dos ingressos do setor e demissão de trabalhadores.

E sabemos que as plataformas vão continuar a se expandir. A Uber Technologies pretende lançar a Uber Works no setor de hotelaria mas, mantendo esse movimento, também pode expandir para outros setores da economia. Há também o grande risco de que muitas funções no setor de serviço e mesmo no comércio, que no contexto da pandemia estão sendo desenvolvidas via home office, amanhã sejam realizadas a partir de uma plataforma de trabalho, possibilitando às empresas seguirem sua estratégia de externalização.

Emergência de regulação

Por isso a necessidade urgente de regulação dessas empresas-plataforma, para que os trabalhadores que hoje já laboram e os que venham a fazê-lo não sejam considerados de “segunda classe”, ou excepcionais, ou específicos. Já temos uma legislação do trabalho e esta deve incluir todos os trabalhadores. Se a CLT ou a Constituição precisam ser modificadas para poder proteger mais os trabalhadores, ótimo, mas isso não pode ser a justificativa para a não inclusão desses trabalhadores.

O que, no contexto brasileiro, levou essa legião de trabalhadores para os aplicativos de plataforma? Qual o peso da “Reforma Trabalhista” nesse contexto?

No Brasil, assim como em diversas sociedades ditas semiperiféricas, o mercado de trabalho sempre conteve um percentual muito grande de pessoas fora do mercado formal de trabalho. Para estes trabalhadores, a única possibilidade de sobrevivência é a realização de bicos. Em sua grande maioria, estamos falando de trabalhadores pobres, que não tiveram condição de estudar muitos anos, mulheres, negros, jovens, moradores de regiões periféricas que, na ausência de um Estado de bem-estar social e de garantias mínimas, precisam, de alguma forma, vender sua força de trabalho.

Se observamos um período de melhora em diversas dimensões do mercado de trabalho brasileiro entre os anos de 2003 e 2014, com aumento no rendimento, da formalização, da redução do tempo de procura de emprego, essa curva positiva muda de direção a partir do final de 2015, atingindo sua pior performance no ano de 2017. Assim, se houve um período no qual essa população entrou ou teve a perspectiva de entrar no mercado formal de trabalho, no contexto atual essa possibilidade ou projeto desaparecem. Nesta inversão do movimento, há a expansão da informalidade e da subocupação, ampliando a precariedade do mercado de trabalho.

Reforma Trabalhista

Com a Reforma Trabalhista de 2017, o governo investiu em duas frentes. Primeiro, precarizando o trabalho daqueles que já estavam no mercado formal. Em paralelo, a Reforma leva parte dos que antes estavam na informalidade a se integrarem ao mercado formal precariamente – em função da liberação da terceirização, da criação do contrato de trabalho intermitente e da figura do trabalhador autônomo para apenas uma empresa.

Como resultado, no primeiro trimestre de 2020, de acordo com os dados do IBGE eram mais de 28 milhões de indivíduos na situação de desocupados, subocupados por insuficiência de horas e aqueles com força de trabalho potencial. A taxa de subutilização da força de trabalho, inclusive, já é a maior da série histórica.

É este contexto que nos ajuda a entender a proliferação das estratégias de sobrevivência por parte da classe trabalhadora. Manzano e Krein (2020), a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Pnad Contínua, nos mostram que entre os anos de 2012 e 2016 houve certa estabilidade na quantidade de trabalhadores nos grupos de motoristas (que inclui os motoristas de aplicativos mas também de táxi e de ônibus) e entre os motoboys.

Tal estabilidade, entretanto, é rompida a partir de 2016, quando há um aumento expressivo da quantidade de trabalhadores nesses grupos. O grupo de motoristas passa de 1,39 milhão, em 2016, para 2,02 milhões em 2020, representando um aumento de quase 42%. No caso dos motoboys, o aumento foi de 39,2%, passando de 522,1 mil para 729,7 mil.

E, pensando no futuro próximo, a situação tende a piorar muito, demandando da sociedade algumas pautas sociais urgentes: o fim das leis que buscam precarizar o mercado de trabalho (como a carteira verde e amarela, a reforma da previdência), a inclusão de todos os trabalhadores na legislação existente e a implantação de uma renda básica universal.

O que diferencia o chamado trabalho informal, o bico e o trabalho através das plataformas? E por que muitas pessoas, entre o bico e o trabalho por plataformas, ainda preferem o segundo?

Em essência, não há diferença entre essas três formas. Em todas elas, os trabalhadores recebem baixos salários, realizam horas insuficientes ou jornadas extensas, não têm previsibilidade de quando terão um trabalho e, assim, um rendimento. Isso tudo por estarem totalmente desprotegidos do ponto de vista legal, tanto no presente como no futuro, dado que as normas de proteção ao trabalho são aplicadas apenas aos que têm vínculo empregatício. Considerando a ausência de um Estado de bem-estar social, no Brasil, esses trabalhadores “se viram” da forma como conseguem.

Há um conjunto de fatores que podem estar levando parte desses trabalhadores a “optar” por trabalhar numa empresa-plataforma. Um deles é a dificuldade para entrar no mercado formal de trabalho. Outro, o fato de que parte deste mercado formal também apresenta péssimas condições de trabalho.

Assim, os trabalhadores que não encontram um trabalho formal e com direitos têm que buscar outras formas de sobrevivência. Uma delas tem sido o trabalho via plataforma, como vimos na questão anterior a partir dos dados apresentados por Manzano e Krein (2020).

Vale lembrar que, quando as plataformas de trabalho iniciaram suas atividades, muitos entraram neste trabalho informal como um bico e não como algo regular, mantendo outras atividades. Entretanto, com a redução constante de outras possibilidades no mercado de trabalho, acabaram dedicando cada vez mais horas às plataformas, mesmo que as condições deste labor fossem se degradando.

Deterioração

No início, essas empresas ofereciam taxas melhores que as atuais. Para termos uma ideia, a empresa Loggi, em 2017, pagava R$ 4,58 por quilômetro rodado e a taxa mínima era de R$ 22,90. Hoje, o quilômetro rodado vale apenas R$ 0,70. O mesmo é relatado por Eliesel: em 2014, para se conseguir um rendimento bruto de 200 reais/dia era necessária uma jornada de entre 6 e 7 horas. Em 2016, para se atingir esse mesmo valor, a jornada teria que ser de 8 a 9 horas e, em 2020, teria que ser de 12 horas por dia.

Assim, vemos que, ao mesmo tempo que a situação econômica e política no Brasil foi piorando e que as instituições que defendem os trabalhadores foram sendo destruídas (como o Ministério do Trabalho) ou fortemente abaladas (como os sindicatos e a Justiça do Trabalho), foi aumentando a ênfase no discurso da parceria e do empreendedorismo e as plataformas foram reduzindo as taxas, bloqueando mais trabalhadores, impondo regras cada vez mais obscuras e duras e, assim, as relações foram se tornando ainda mais desiguais. Mais uma vez, a atuação do Estado é fundamental para incluir esses trabalhadores na regulação do trabalho já existente.

Como compreender a lógica que engendra o trabalho via plataforma digital? Por que muitos trabalhadores parecem capturados por essas lógicas que cada vez imprimem jornadas maiores e mais extenuantes?

A lógica principal que captura esses trabalhadores é a da sobrevivência. Afinal, estes não laboram horas e horas por puro prazer ou por não desejarem vivenciar outros tempos sociais (como descansar, ficar com suas famílias, estudar, namorar…). Eles vivem do trabalho. As extensas jornadas, diárias e semanais, são consequência de baixos, insuficientes e incertos salários. Eles precisam compor uma renda digna para uma vida decente. Por exemplo, quando analisamos os trabalhadores que mais realizam horas extras, no setor formal, encontramos aqueles que laboram no setor do comércio, justamente onde os salários são mais baixos.

E, quanto mais precário for o mercado de trabalho – com mais desempregados, mais subutilizados e mais pessoas com baixos rendimentos e com menos perspectivas –, mais os trabalhadores serão obrigados a laborarem longas jornadas e, principalmente, num contexto em que o Estado não exerce o seu papel de proteção dos trabalhadores.

Na pesquisa nacional com os entregadores, que eu e outros pesquisadores vinculados à Rede de Estudos e Monitoramento da Reforma Trabalhista – Remir realizamos, o que nos chamou mais atenção é que mesmo antes da pandemia a remuneração era muito baixa. Entre os que responderam ao questionário, 48% afirmaram receber até R$ 520,00 por semana e, dessa renda bruta, eles têm de arcar com todos os custeios diretos e indiretos desse trabalho: deslocamento de trajeto casa-trabalho, manutenção dos veículos, combustível, refeição, internet, vestimenta e todos os itens de segurança. Por sua vez, este valor pode ser ainda mais reduzido se o trabalhador, por exemplo, tiver problemas de saúde, sofrer acidentes ou ter problemas com seu veículo de trabalho.

Pandemia e achatamentos dos rendimentos

E com certeza foi frustrante e desmotivador para esses trabalhadores verem seus rendimentos reduzidos justamente no contexto da pandemia da covid-19, quando as plataformas de entrega tiveram aumento da demanda. Sobretudo considerando estarem arriscando suas vidas e exercendo um trabalho essencial. A pesquisa traz essas evidências: 58,9% relataram queda na remuneração; houve aumento no número de entregadores nas faixas de rendimento mais baixas (até R$ 520,00 semanais) e redução no rendimento para as faixas acima deste valor. No que se refere à jornada, 60% relataram laborar mais do que 9 horas por dia (destes, 24% trabalham entre 9 e 10 horas, 21% entre 11 e 12 horas, 9% entre 13 e 14 horas e 8% mais do que 15 horas), sendo que essas longas jornadas se estendem por vários dias da semana.

A realidade dos condutores via plataformas digitais não é diferente, como vem mostrando a pesquisa que realizo com outros professores da Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF. Antes do período da pandemia, 45% relataram trabalhar 7 dias por semana. Situação que se confirma quando olhamos a duração da jornada de trabalho, quando praticamente 70% disseram trabalhar mais de 8 horas por dia e, ainda, em torno de 41% mais do que 10 horas.

Mais uma vez, se explicita a necessidade de que esses trabalhadores tenham seus direitos assegurados como limite máximo de jornada, intervalos de descanso e intrajornadas, rendimento mínimo, garantias legais e negociação coletiva.

Muitos trabalhadores relatam represálias das empresas às manifestações, os chamados bloqueios ou bloqueios brancos. Como essas empresas realizam a gestão do trabalho, que inclui os bloqueios, sanções, avaliações e também os prêmios?

As represálias por parte das empresas-plataforma, que já estavam presentes antes da mobilização e que parecem ter se aprofundado no período posterior, são exemplos da relação de extrema subordinação que estas estabelecem com os trabalhadores. Nos grupos de WhatsApp e também nas falas na imprensa, fica claro que não apenas as empresas-plataforma definem de forma unilateral todas as regras, como estas são mudadas a todo momento para evitar que os trabalhadores possam compreendê-las e, assim, se contrapor a elas.

Tudo isso em meio à manutenção do discurso de que não são empregadoras mas apenas empresas de tecnologia. No entanto, sabemos que são elas que controlam, gerenciam e definem todo o modo de funcionamento. Desta forma, são negados direitos a esses trabalhadores: qualidade da mobilidade interprofissional, nível de rendimento, segurança social, treinamento, proteção social, segurança e saúde ocupacional, acesso à informação, liberdade de associação e negociação coletiva. A ausência dessas garantias, evidentemente, contribui de forma negativa para a saúde desses profissionais e de toda a sociedade, ao gerar insegurança, medo, ansiedade, baixos rendimentos e longas jornadas.

No que se refere à gestão, esta é realizada a partir de lógicas muito antigas, que nos remetem ao início da revolução industrial – como o pagamento por trabalho feito. Ao mesmo tempo, ela inclui o que há de mais desenvolvido do ponto de vista tecnológico, que são os algoritmos, assim como a gamificação do trabalho.

Gamificação

Nesse game todas as regras são definidas de forma unilateral pelas plataformas tendo como objetivo forçar seus empregados a ficarem disponíveis o máximo de tempo. Logo, se queremos melhor compreender as extensas jornadas de trabalho, devemos considerar a gamificação, pela qual as empresas buscam manter os entregadores conectados o máximo de tempo possível, sobretudo nos locais, dias e horários que elas têm mais interesse e os trabalhadores nem tanto: finais de semana, dias chuvosos, horários noturnos. Esse interesse em ter os trabalhadores à disposição vem sendo realizado pelas empresas tradicionais há muito tempo e a partir de várias ações – banco de horas, metas e, sobretudo, utilização das tecnologias digitais de informação e comunicação – TDICs.

A gestão gamificada não se reduz às tarifas dinâmicas, mas inclui bônus, prêmios etc. Os relatos dos trabalhadores nos mostram, por exemplo, que se o prêmio define a necessidade de realização de 10 corridas num determinado período de tempo, quando o trabalhador se aproxima da meta há uma redução do número de chamadas. Essa tática das empresas impede o recebimento do prêmio, apesar do esforço a mais empreendido. O “mesmo” já era (e continua sendo) realizado pelas empresas tradicionais, que definiam metas impossíveis de serem atingidas que forçavam a intensificação do trabalho e o aumento da produção.

Entretanto, o esforço não possibilitava atingir a meta e, assim, receber o prêmio definido. A diferença, mais uma vez, é que a tecnologia atual permite que as plataformas não se responsabilizem pelas decisões, culpando os algoritmos pelos acontecimentos.

De acordo com a fala do Galo, “para trabalhar em Moema, por exemplo, você precisa de 600 pontos, que você tem que fazer no dia anterior. Se tiver 1.200 pontos, pode ir para a Paulista”. Só que os trabalhadores quase nunca têm a possibilidade de fazer a pontuação definida pelas plataformas: “Você fez 400 pontos num dia, aí sua moto quebrou, você vai para casa, gasta dinheiro. No outro dia, não acessa o lugar onde trabalhava porque não tem pontuação suficiente”.

Sanções e suspensões

A mesma obscuridade pode ser observada em relação às sanções ou suspensões. As plataformas não informam o motivo das represálias, e muitas vezes nem a duração, impedindo que os profissionais possam se defender e questionar a decisão tomada “pelos algoritmos”. Ainda conforme o relato do Galo, “quando você recusa pedido, entra no chamado bloqueio por 30 minutos. (…) quando fazemos paralisação, os aplicativos bloqueiam por um tempo. Você fica online, não aparece bloqueado, mas não recebe pedido”.

A reclamação também é forte no que se refere à extrema dificuldade de se comunicar com as plataformas e aos longos tempos utilizados para esta tarefa, que, evidentemente, não são remunerados.

Avaliações

As avaliações funcionam da mesma forma, dado que os trabalhadores não sabem os motivos de uma avaliação negativa. Além disso, se as empresas tradicionais há muito tempo externalizam aos clientes as avaliações, buscando tirar a responsabilidade de si, no caso das plataformas essa lógica se mostra muito mais perversa. No que se refere à nota, há a exigência para que, cotidianamente, seja atingida a melhor avaliação: de um total de 5 estrelas, muitas empresas, como a Uber, exigem 4,6. E os resultados dessas avaliações impactam o cotidiano laboral como, por exemplo, no local liberado para a entrega, ou mesmo nos dias da semana. Não por um acaso, todas essas questões estão presentes na pauta de reivindicação do #BrequedosApps.

Qual o papel do consumidor na impressão dessas lógicas do trabalho via plataforma digital? E como o consumidor pode romper com tais lógicas?

Sem dúvida uma parte dos consumidores atendeu aos chamados dos entregadores: Não peça nada pelos aplicativos nesse dia: aproveite para fazer uma comida em casa e postar nas redes com as hashtags de apoio; Avalie os apps negativamente nas lojas de aplicativo e poste comentários em apoio à paralisação; e Apoie e divulgue a paralisação nas redes sociais, usando as hashtags #BrequedosApps e #ApoieoBrequedosApps.

De acordo com o site Bites, no final da tarde do dia da greve, “as hashtags #BrequeDosApps e #ApoioBrequeDosApps tinham somado 166 mil tweets com 303 milhões de impressões em potencial, mantendo o assunto o dia todo nos Trending Topics do Twitter. No Instagram, o número das hashtags alcançou 8,2 mil publicações”. Por sua vez, dados do SensorTower apontavam que foram feitas 43 mil avaliações com 1 estrela nos aplicativos iFood, Rappi e Uber Eats, o que representa 19% do total registrado. O site ainda nos mostra que após a greve, essas empresas-plataforma estavam sendo criticadas na App Store, recebendo muitas reclamações.

Sem dúvida o contexto da pandemia contribuiu para dar visibilidade a esses trabalhadores que sempre foram importantes para o funcionamento e a mobilidade das cidades. Assim, se para os consumidores antes se tratava de um serviço de conveniência, na pandemia ele passou a ser essencial para que pudessem manter o isolamento social. Talvez por isso uma série de consumidores se dispuseram a aumentar suas gorjetas – uma ajuda que pode ser significativa, dados os níveis de rendimento dos trabalhadores, mas que está longe de ser uma solução estrutural ou sustentável.

De consumidores a cidadãos

Por isso mesmo, a questão é saber até onde eles conseguirão sair do papel de consumidores – se preocupando apenas com o valor a ser pago e a facilidade de um serviço –, para se colocarem no papel de trabalhadores e cidadãos. Sabemos que isto não é fácil. Vimos a pressão de muitos consumidores para abertura do comércio aos domingos, na campanha feita pelas empresas do setor no final da década de 1990, mesmo sabendo que isso seria prejudicial ao equilíbrio entre tempo de trabalho e não trabalho dos comerciários.

Vimos, também, a resistência da parte de muitos em aceitar o fato de os domésticos terem os mesmos direitos que quaisquer trabalhadores. Ou, ainda, pode haver muitos professores reclamando do fato de as plataformas de trabalho estarem entrando na área educacional, e assim destruindo empregos formais, mas que, ao mesmo tempo, ficam felizes em pagar preços baixos por suas corridas numa plataforma Uber ou num pedido da iFood.

Assim, mesmo que tenhamos visto um forte apoio à greve, isto não significa, necessariamente, que estão dispostos a abrir mão de suas facilidades para que os trabalhadores tenham acesso aos direitos do trabalho. A situação é sempre muito complexa e são muitos os interesses que estão em jogo.

Vale ressaltar, ainda, que a atitude dos consumidores é essencial frente aos estabelecimentos que se utilizam das entregas. Nesta greve, muitos desligaram os aplicativos das plataformas de entrega como forma de apoio ao movimento, mas, igualmente, para explicitar seus descontentamentos com essas empresas.

Se antes da pandemia os estabelecimentos de alimentação já estavam nas mãos da plataforma, o contexto de isolamento social apenas acentuou esta situação. Há tempos as plataformas de entrega estão prejudicando a operação dos pequenos restaurantes em função de concorrência desleal e dumping, levando muitos a demitirem trabalhadores e entrarem em falência.

Parceria unilateral

Mais uma vez, a parceria tão propalada pelas plataformas fica apenas no discurso, pois, na realidade, sua relação com os estabelecimentos é totalmente autoritária: o atraso do restaurante na preparação de um pedido gera uma nota baixa e sua visibilidade na plataforma é afetada; se o restaurante não adere às promoções da plataforma, que normalmente não são boas para o restaurante, o número de vendas reduz. Além disso, são as plataformas que definem o tempo entre o pedido e a entrega.

Por isso pudemos observar relatos de donos de estabelecimentos que estão se reorganizando para contratar entregadores diretamente. Mas isso não garante, é importante frisar, que tais contratações serão formais e de qualidade. Assim, mais uma vez, a atuação do Estado é essencial no sentido de reduzir as desigualdades da relação entre empregadores e trabalhadores, garantindo condições dignas de trabalho para estes.

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