Fechar menu lateral

Gavetas na Memória

Gavetas na Memória: mediação, educação e patrimônio cultural

Sumário

Introdução

Gaveta 1: A minha memória do presidente

Gaveta 2: Qual República imaginamos?

Gaveta 3: Essa cidade é minha também

Gaveta 4: Quanto vale o dinheiro?

Porque Gavetas na Memória?

Introdução

O projeto Gavetas na Memória é uma experiência coletiva de mediação voltada para grupos e turmas escolares. A proposta prioriza a exploração conjunta dos temas, incentivando o diálogo e a construção coletiva do conhecimento.

Cada grupo, composto por 15 a 40 participantes, deve selecionar previamente uma das quatro gavetas temáticas, que têm duração média de 90 a 120 minutos e incluem uma ação educativa complementar.

Os temas foram definidos com base no potencial estético e pedagógico das exposições, abordando questões centrais dos circuitos expositivos do Memorial. Apesar disso, não há restrição de público ou faixa etária: cada roteiro pode ser comunicado e adaptado conforme o perfil, os interesses e as contribuições do grupo, tornando cada visita uma experiência única.

Voltar ao Sumário

Gaveta 1: A minha memória do presidente

Gaveta 1: A minha memória do presidente

Tema:  A vida e a trajetória política de Itamar Franco

Ação Educativa: “Gaveta de Papel” e “Galerias da Memória”

Esta gaveta convida os visitantes a explorar a trajetória de Itamar Franco, desde sua infância até sua atuação em cargos políticos de destaque. Por meio de objetos pessoais, fotografias e relatos, a visita nos leva a refletir sobre quem ele foi e como esses bens, que um dia pertenceram a ele, hoje fazem parte do patrimônio histórico-cultural de todos os brasileiros.

O percurso também propõe um questionamento essencial: qual é o papel da memória individual e coletiva na construção de um país? Assim como os itens preservados no Memorial contam parte da história nacional, nossos próprios objetos e lembranças são fragmentos valiosos da nossa identidade.

Nesta experiência, os participantes são estimulados a pensar sobre a importância da preservação e do diálogo com o passado, reconhecendo que a memória não pertence apenas a figuras públicas, mas a todos nós. Afinal, perder uma lembrança é, de certa forma, perder um pedaço de quem somos.

Voltar ao Sumário

Gaveta 2: Qual República imaginamos?

Gaveta 2: Qual República imaginamos?

Tema: Narrativas histórico-culturais da República Brasileira

Ação Educativa: “Brasil, terra de quem?”

A República é apenas um sistema político ou também uma ideia a ser imaginada? Esta gaveta propõe uma reflexão sobre a construção da identidade republicana no Brasil, analisando símbolos, discursos e ausências que ajudam a definir o que é lembrado e o que é silenciado na história oficial. A partir de documentos, obras de arte e objetos históricos, exploramos como diferentes grupos foram representados – ou excluídos – na formação do imaginário republicano.

Ao longo da visita, questionamos como a República evoluiu desde sua proclamação e quais valores foram priorizados na construção de seus símbolos e narrativas. Quem são os rostos, as figuras e as imagens que marcaram esse período? De que maneira a arte e o patrimônio podem revelar camadas ocultas da nossa história e abrir caminhos para novas interpretações?

Mais do que um percurso histórico, essa experiência busca incentivar um debate sobre os ideais republicanos e sua relação com a representatividade, a cidadania e a diversidade cultural do Brasil. Quais símbolos poderiam ser ressignificados ou criados para construir uma República mais inclusiva? Como a arte pode desafiar as versões tradicionais da história e trazer à tona vozes que, por muito tempo, foram silenciadas?

Voltar ao Sumário

Gaveta 3: Essa cidade é minha também

Gaveta 3: Essa cidade é minha também

Tema: História e Patrimônio Cultural da cidade de Juiz de Fora

Ação Educativa:Se essa rua fosse minha”

Uma cidade não é feita apenas de ruas e prédios, mas também de memórias, narrativas e experiências compartilhadas. Nesta gaveta, mergulhamos na história de Juiz de Fora, analisando como sua paisagem urbana foi moldada por decisões políticas, manifestações culturais e pela participação de seus habitantes ao longo do tempo.

A visita apresenta documentos, fotografias e registros audiovisuais que destacam momentos emblemáticos da cidade, com ênfase nos anos 1960 e 1970, período em que Itamar Franco esteve à frente da prefeitura. Esta gaveta propõe um olhar crítico sobre as escolhas feitas ao longo da história: o que é preservado e o que é esquecido? Como as políticas públicas e manifestações culturais impactam a memória urbana? De que maneira os cidadãos participam na construção e na valorização do patrimônio local?

Ao final da experiência, os visitantes são convidados a enxergar Juiz de Fora não apenas como um espaço físico, mas como um patrimônio vivo. Afinal, a cidade também é nossa, e cabe a todos nós decidir como queremos preservá-la e transformá-la para as próximas gerações.

Voltar ao Sumário

Gaveta 4: Quanto vale o dinheiro?

Gaveta 4: Quanto vale o dinheiro?

Tema: História da moeda na República e implementação do Plano Real

Ação Educativa: “Nosso dinheiro”

O dinheiro é mais do que um meio de troca – ele carrega histórias, símbolos e impactos profundos no dia a dia da população. Nesta gaveta, revisitamos a trajetória da moeda no Brasil, com foco no Plano Real e no contexto econômico que levou à sua criação em 1994. A partir de cédulas, moedas e charges da época, discutimos a hiperinflação e suas consequências, além dos desafios para estabilizar a economia.

A visita levanta questões como: como era viver em um país onde os preços mudavam diariamente? Como a imagem de um dragão cuspindo fogo se tornou um símbolo da inflação? O que garante que uma moeda seja confiável e estável? Mais do que uma análise histórica, a experiência busca conectar o tema à vida cotidiana, explorando como o dinheiro influencia nossas relações sociais e oportunidades.

Por fim, os visitantes são incentivados a refletir sobre o papel da economia na construção da democracia. Como as políticas monetárias impactam a população? O que aprendemos com o Plano Real e quais desafios ainda enfrentamos? Afinal, quanto vale – e para quem vale – o dinheiro?

Voltar ao Sumário

Porque Gavetas na Memória?

Localizado à direita do primeiro pavimento do Memorial, destaca-se um grande móvel de madeira composto por 84 gavetas. Cada gaveta contém uma representação de um momento da biografia do ex-presidente, exibindo reproduções de itens do acervo como fotografias, documentos, livros, vídeos e obras artísticas. O arranjo possibilita o público a explorar fragmentos ordenados do passado de Itamar Franco, desde suas memórias de infância até seu último cargo público. Este expositor foi inspirado na metáfora criada pelo poeta juiz-forano Murilo Mendes, em seu livro “A Idade do Serrote”, onde ele pensa a memória como um arquivo cheio de gavetas.

Linha do tempo no Memorial Itamar Franco

A metáfora utilizada pelo poeta oferece uma perspectiva provocadora sobre a memória que não se limita a recuperar algo perdido, mas a revisitar o tempo continuamente, abrindo espaço para novas percepções e interpretações. Conforme foi analisado por Gabriel da Cunha Pereira e Maria Luiza Scher Pereira, no artigo “Memória e Alegoria em Murilo Mendes”, publicado na revista Ipotesi do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFJF, Mendes nos convida a um exercício constante de revisitação ao passado, permitindo novas leituras e questionamentos. Como o próprio poeta reflete: “(…) nesta conversa de hoje o professor me mandara cultivar a memória, diz que na memória nada se perde, ali arquivamos os fatos do mundo, tem muitas gavetas na memória;” (MENDES, 1995, p. 970)¹.

A partir das inquietações despertadas por essas reflexões, o Setor de Educação e Difusão Cultural do Memorial desenvolveu este projeto de mediação para educação patrimonial com o intuito de promover diálogos diversos entre o público e o acervo, estimulando a produção de saberes a partir de experiências coletivas. Deste modo, será possível propiciar novas leituras e interpretações dos objetos em exposição, incentivando os visitantes à buscarem também por seu lugar dentre a História que lhes pertence a partir da reflexão crítica. 

As Gavetas na Memória possuem, portanto, o mote do explorador; o projeto é um convite à descoberta para fomentar a inquietação e a dúvida, fomentando a construção de conhecimento de maneira autônoma e coletiva.

Ao mesmo tempo, é um convite sensível e estimulante, do tipo que desperta um ímpeto de curiosidade e provoca nossa disposição, como ser convidado a abrir uma gaveta para desvendar os fragmentos ali guardados. Dessa forma, propõe-se esta ação no campo da educação não-formal, que visa uma experiência em grupo orientada pelo movimento do desvendar, convidando a “olhar explorando” e a “conversar descobrindo”.

Para dar início à prática elaborada, a primeira edição do projeto contém quatro gavetas elegidas de importantes eixos temáticos que circundam os objetos e as narrativas do Memorial. A partir de cada uma delas, seus temas e particularidades serão explorados e potencializados por atividades próprias que auxiliarão no desenvolvimento de cada experiência.

As Gavetas na Memória, assim como o programa do Setor de Educação e Difusão Cultural, reconhecem o visitante do Memorial como um ser cultural, portador de experiências e vivências pessoais que devem ser reconhecidas como recursos a serem utilizados para ampliação das possibilidades de construção de conhecimento durante a visitação. Seu repertório pessoal dialoga constantemente com os objetos do acervo, a arquitetura do prédio e com a interação com os funcionários da instituição.

Assim, buscamos proporcionar uma experiência educativa que valorize a autonomia de cada visitante na construção de seu próprio conhecimento, incentivando conexões entre seu repertório individual e o patrimônio histórico cultural no Memorial. Ao compartilhar e criar a partir dessas conexões, cada participante contribui com as trocas promovidas pela diversidade de perspectivas entre o grupo, fortalecendo a compreensão da memória como um instrumento coletivo de preservação e significado. 

¹PEREIRA, Maria Luiza Scher. PEREIRA, Gabriel da Cunha. Memória e Alegoria em Murilo Mendes. In: Ipotesi: revista de estudos literários. V. 11 n. 2. dez. 2007. Juiz de Fora: Editora UFJF, 2007. (p. 84). Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/ipotesi/article/view/19346. Acesso em 09 de setembro de 2024.

Voltar ao Sumário

Conteúdo acessível em Libras usando o VLibras Widget com opções dos Avatares Ícaro, Hosana ou Guga. Conteúdo acessível em Libras usando o VLibras Widget com opções dos Avatares Ícaro, Hosana ou Guga.