Você já ouviu falar que um alimento, uma planta ou um extrato apresenta “atividade antioxidante”? Mas como a ciência consegue avaliar essa propriedade?
Nosso organismo produz naturalmente espécies reativas, como radicais livres e outras espécies capazes de participar de reações de oxidação. Em condições normais, o organismo possui mecanismos antioxidantes que ajudam a manter esse equilíbrio. Entretanto, quando a formação de espécies reativas supera a capacidade de defesa antioxidante, pode ocorrer um desequilíbrio conhecido como estresse oxidativo.
É nesse contexto que os antioxidantes despertam interesse científico. Essas substâncias podem atuar por diferentes mecanismos, como neutralizar determinadas espécies reativas ou participar de processos que reduzem reações de oxidação. Diversos compostos presentes em plantas, alimentos e produtos naturais, por exemplo, são investigados por seu potencial antioxidante.
Mas como sabemos se um extrato é antioxidante?
Para responder a essa pergunta, pesquisadores utilizam ensaios de atividade antioxidante. De forma geral, esses testes são modelos experimentais que permitem avaliar a capacidade de uma amostra de interferir em determinadas reações de oxidação ou de reduzir espécies reativas.
Não existe um único ensaio capaz de explicar toda a atividade antioxidante de uma amostra. Isso acontece porque diferentes métodos avaliam mecanismos e propriedades distintas. Por isso, a combinação de diferentes ensaios pode fornecer uma visão mais ampla do potencial antioxidante de um extrato.
Alguns dos ensaios realizados em nosso laboratório
Entre as metodologias utilizadas pelo nosso grupo de pesquisa estão diferentes modelos experimentais para investigar a atividade antioxidante.
DPPH — captura de radicais livres
O ensaio de DPPH é um dos métodos mais conhecidos para avaliação da atividade antioxidante. Nele, utiliza-se um radical estável que apresenta uma coloração característica. Quando determinadas substâncias antioxidantes reagem com esse radical, ocorre uma alteração na intensidade da cor.
Assim, acompanhando essa mudança, é possível estimar a capacidade da amostra de capturar o radical DPPH. Quanto maior a redução observada nas condições estabelecidas pelo ensaio, maior tende a ser a atividade de captura de radicais apresentada pela amostra.
Método do fosfomolibdênio — capacidade redutora
Outra abordagem utilizada é o ensaio de redução do fosfomolibdênio, que avalia a capacidade da amostra de participar de uma reação de redução de espécies de molibdênio.
Nesse caso, o princípio é diferente do DPPH: em vez de avaliar diretamente a captura de um radical específico, o método fornece uma medida relacionada à capacidade redutora da amostra. Isso permite investigar outra dimensão do potencial antioxidante.
Sistema β-caroteno/ácido linoleico — proteção contra a oxidação
Também podemos avaliar a atividade antioxidante utilizando o sistema β-caroteno/ácido linoleico. Esse modelo está relacionado à capacidade de uma amostra de retardar processos de oxidação que levam à perda da coloração característica do β-caroteno.
Dessa forma, o ensaio permite investigar a capacidade de determinados compostos ou extratos de interferir na progressão de processos oxidativos em um sistema experimental.
Quantificação de espécies reativas de oxigênio (ROS)
Outra estratégia é a quantificação de espécies reativas de oxigênio, ou ROS (Reactive Oxygen Species). Diferentemente de métodos baseados apenas em uma reação química específica, essa abordagem permite investigar a formação ou a modulação de espécies reativas de oxigênio em modelos experimentais apropriados.
A análise de ROS pode contribuir para compreender de maneira mais ampla como uma amostra interfere no equilíbrio entre processos oxidativos e mecanismos de defesa antioxidante.
Por que utilizar diferentes ensaios?
A atividade antioxidante é um fenômeno complexo. Um extrato pode apresentar elevada capacidade de captura de determinado radical, mas apresentar comportamento diferente em outro modelo experimental.
Por isso, resultados de diferentes ensaios não devem ser considerados equivalentes ou simplesmente substituídos uns pelos outros. Cada metodologia fornece uma informação específica sobre o comportamento da amostra.
Ao utilizar diferentes modelos, é possível construir uma avaliação mais abrangente do potencial antioxidante de extratos e outras amostras de interesse científico.
Da bancada para a ciência
Essas metodologias fazem parte das estratégias utilizadas em nosso laboratório para investigar o potencial biológico de diferentes amostras, especialmente aquelas obtidas a partir de produtos naturais e fontes de interesse farmacêutico.
Nosso grupo de pesquisa possui publicações científicas que empregam diferentes ensaios de atividade antioxidante, incluindo métodos de captura de radicais, capacidade redutora, sistemas de avaliação da oxidação e quantificação de espécies reativas de oxigênio.
Mais do que simplesmente determinar se uma amostra “é antioxidante”, esses estudos buscam compreender como diferentes extratos e compostos se comportam diante de processos oxidativos, contribuindo para a caracterização de seu potencial biológico e para o desenvolvimento de novas pesquisas.
