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Investimento em fontes renováveis de energia é urgente

Usina Itapu Binacional

Itapu Binacional é maior usina hidrelétrica do mundo em geração de energia (Foto: Kiko Sierich)

O país vem passando pela maior crise hídrica dos últimos 91 anos. O cenário alarmista foi feito no início do mês de agosto pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão responsável pela coordenação e controle da geração e transmissão de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN).

Como a maior parte da energia elétrica produzida no país é gerada pelas usinas hidrelétricas, que chegam a ser responsáveis por cerca de 80% da produção energética em todo o território nacional, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) deliberou pelo despacho de térmicas por garantia energética, recorrendo às usinas termelétricas que operam pela queima de combustível.

Diretor do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Energia Elétrica (Inerge) sediado na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o professor Moisés Ribeiro esclarece que o risco de um grande apagão por conta da crise hídrica, agravada pelas condições climáticas e ação humana, está sendo aliviado pela forte introdução de novas fontes renováveis de energia elétrica na matriz de geração brasileira.

“Temos uma condição climática peculiar nesse momento, a qual é de certa forma cíclica, mas também é resultado do impacto do ser humano no meio ambiente. Além disso, a sociedade atual é cada vez mais dependente de eletricidade. Entretanto, o setor vem fazendo vultosos investimentos em fontes renováveis, como a eólica e solar”, informa.

O pesquisador ressalta que ainda assim é preciso de fato chamar a atenção da sociedade para adotar práticas de consumo racional e eficiente dos recursos energéticos, uma vez que “esse consumo impacta negativamente o meio ambiente e a qualidade de vida dos seres vivos na Terra”. Segundo cálculo do ONS, atualmente as usinas hidrelétricas dispõem de um volume médio útil de 54%.

Top 5 em energia renovável 

Retrato do professor Moisés Ribeiro

Docente da Faculdade de Engenharia, Moisés Ribeiro é o atual diretor do Inerge, sede da unidade Embrapii na UFJF (Foto: Alexandre Dornelas)

“Você sabia que mais de 70% da geração de energia elétrica no Brasil é renovável? O elevado investimento em hidroelétrica é o grande responsável por esse resultado fantástico; cerca de 62% da energia elétrica gerada no Brasil vem da força das águas”, aponta Moises Ribeiro que também afirma que o Brasil está entre os cinco países que mais geram energia renovável no mundo.

Ainda que ambientalistas questionem seus impactos negativos, foi a geração hidrelétrica que colocou o país em patamar de destaque “em termos de geração renovável e evitou que houvesse no passado fortes investimentos em energia não renovável e de riscos ambientais muito maiores, a exemplo do gás, petróleo ou energia nuclear”.

Em sua opinião, enquanto outros países estão procurando investir em fontes renováveis e diminuir a dependência em relação às não renováveis, o Brasil já é uma potência nessa área e isso deveria ser motivo de orgulho para todos os brasileiros. “Podemos aumentar ainda mais nossa capacidade, posto que temos ótimas condições ambientais para geração eólica, solar e marítima. Precisamos avançar também em outros recursos, como biocombustíveis e hidrogênio”, sinaliza.

 

Vantagens da Embrapii Inerge

Com previsão para entrar em funcionamento a partir de setembro, a unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) na UFJF está sediada no INCT de Energia Elétrica – Inerge, rede que reúne pesquisadores de seis universidades públicas. Para isso, já estão em andamento ações de prospecção na área de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, incluindo as renováveis.

Relembre: UFJF irá sediar unidade Embrapii na área de energia

Na visão do pesquisador Moisés Ribeiro, a contratação da Embrapii supre uma carência de mercado, uma vez que muitas indústrias não têm o setor de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), por ser uma área que demanda grande investimento de pessoal e infraestrutura.

Ele cita outros benefícios, como: subsídio entre 35% e 50% (até 33% é financeiro), gestão ágil, projeto voltado para atender a demanda da indústria, equipe de P&D já com experiência na execução de projetos para o setor industrial. Além disso, o docente acredita que o conhecimento adquirido a partir dessa parceria pode estimular que as empresas criem seus próprios departamentos de pesquisa, desenvolvimento e inovação.

Fachada do prédio da Faculdade de Engenharia da UFJF no campus Juiz de Fora

A UFJF representa um dos oito novos grupos de instituições contempladas pelo edital Embrapii. O resultado foi divulgado em julho durante coletiva de imprensa. Foto: Gabriela Maciel

Desafios e potencialidades

Para que a inclusão de fontes renováveis na matriz energética seja feita com o mínimo de risco e problemas, Moisés Ribeiro aposta na necessidade de investimento voltado para a privacidade e segurança das informações, especialmente por conta da crescente digitalização do sistema elétrico de potência. Isso é importante, pois esse sistema engloba as instalações de centrais elétricas, subestações de transformação e de interligação, bem como as linhas e receptores ligados eletricamente.

Com relação às novidades do mercado, o pesquisador menciona a disseminação do conceito de economia circular no setor elétrico, que busca “balisar a eficiência energética, a mobilidade elétrica, a digitalização dos sistemas elétricos de potência e a inclusão de fontes renováveis para atendimento das demandas da sociedade no que tange à confiabilidade energética e à preservação do meio ambiente”.

“Essas são áreas que a unidade Embrapii Inerge/UFJF apresenta competência e know-how, pois seus pesquisadores fazem parte do único Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Energia Elétrica apoiado pelos governos federal, por meio da Capes e CNPq, e estadual, pela Fapemig”, compartilha.

Diante de toda essa gama de possibilidades, a expectativa da equipe é que os investimentos públicos em pesquisa, desenvolvimento e inovação gerem um círculo virtuoso: “recursos aportados em ações de P&D resultam em produtos inovadores que serão lançados no mercado e geram mais empregos, negócios e, consequentemente, arrecadação crescente de impostos pelo aumento da circulação e volume de mercadorias”.

Matéria publicada originalmente em ufjf.br. confira aqui a publicação original.