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Objetivos

O Bacharelado em Humanidades — Cultura e Estudos Globais tem por objetivo ser um espaço institucional de diálogo e de aprofundamento da interdisciplinariedade entre os cursos da Universidade Federal de Juiz de Fora. Com uma matriz curricular atenta às especificidades locais e às demandas globais, o curso tem entre seus objetivos oferecer uma formação acadêmica que se concentra no ensino e na pesquisa de sociedades tradicionalmente situadas às margens dos blocos normativos e epistemológicos do Norte Global, como as do continente latino-americano, africano e asiático. A natureza político-pedagógica do curso emerge em um contexto de significativas transformações geopolíticas que envolvem países da Ásia — especialmente a Índia, a Rússia e a China —, bem como países do Sul Global, notadamente na América Latina e no continente africano. Considerando tais transformações, o propósito institucional do curso é constituir-se como um laboratório interdepartamental de ensino, pesquisa e extensão na grande área de humanidades, com o objetivo específico de proporcionar uma formação crítica em humanidades capaz de interpretar e compreender as especificidades políticas, culturais e religiosas, bem como os modelos epistemológicos que singularizam tais modernidades no atual cenário global.

A partir de uma estrutura curricular sólida de formação, com ênfase no estudo de línguas estrangeiras clássicas e modernas, história, filosofia e textos clássicos da tradição clássica, humanista e ocidental, o curso também pressupõe um esforço conceitual de análise da dinâmica própria e das singularidades culturais de modernidades política e economicamente deslocadas dos eixos hegemônicos do Norte Global. A concepção de uma modernidade ocidental, tradicionalmente interpretada como um modelo civilizatório superior, deixa, portanto, de atuar como um critério orientador do ensino e da pesquisa na área de humanidades. Em vez disso, passa a ser entendida à luz dos distintos processos de assimilação e rejeição do modelo europeu, e, por vezes, como um fenômeno exógeno à constituição de unidades nacionais e singularidades religiosas e culturais não ocidentais.

Nesse sentido, o curso tem como objetivo responder, por meio da pesquisa, do ensino e da extensão, aos desafios globais de um contexto geopolítico multipolar que explicitou diferenças epistemológicas e culturais e impôs uma pluralidade cognitiva e cultural tradicionalmente negligenciada pelas lentes ocidentais e eurocêntricas. Nesse mesmo contexto, a ênfase no ensino e na pesquisa da realidade dos povos originários e das sociedades tradicionais surge como um vetor ético significativo na proposta do curso. Em um cenário global de estudos das sociedades tradicionais e originárias, que acompanham a virada ontológica e ecopolítica que busca responder à crise do antropoceno, a pesquisa e o ensino das tradições e ontologias dos povos africanos, afro-diaspóricos e ameríndios marcam um alinhamento ético e político do curso com o que existe de mais relevante no atual arcabouço teórico das humanidades. Entre os desafios da pesquisa e do ensino das tradições e ontologias das sociedades tradicionais e originárias, está a integração de pensadores e intelectuais indígenas, africanos e afro-brasileiros no ambiente universitário. A dimensão ética e política dessa integração está presente na estrutura e no conteúdo do projeto pedagógico do curso. Nesse sentido, as atividades de docentes que integram o núcleo estruturante do Bacharelado em Humanidades – Cultura e Estudos Globais oferecem um cenário promissor para a articulação efetiva de uma rede de intelectuais indígenas e afro-brasileiros no contexto das atividades de ensino, pesquisa e extensão do curso.